Yeda Crusius fala dos bastidores do PSDB com as prévias expondo a crise tucana

A Presidente Nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius, que foi governadora do Rio Grande do Sul, ministra do Planejamento e deputada federal, fez, para a coluna Repórter Brasília, uma análise crítica do episódio das prévias do PSDB, que expôs publicamente um racha no “ninho” tucano. Na avaliação de Yeda, “os problemas vinham crescendo como um balão cheio de papéis coloridos, que agora explodiu na cabeça de todo mundo.”

Duas alas no Partido

No entendimento da presidente do PSDB Mulher, “existem duas alas no partido bem distintas: uma é a ala original; uma ala raiz que é profundamente democrática, e esta ala, de vez em quando, é chamada de ingênua porque expõe democraticamente todas as questões, aceita divergências. A outra, que cresce com os tempos, que é a autocrática, uma parte não democrática, vamos dizer assim, da política velha, tradicional, do tem quem manda, tem quem obedece, que tem crescido. Eu chamo isso de partido intervencionista.”

Explosão da tecnologia

Segundo Yeda Crusius, “com a explosão da tecnologia que coloca público instantaneamente por áudio, por vídeo e depois é muito bem trabalhado pela imprensa, a democracia foi além dos chamados muros partidários. Tudo o que se passa dentro do partido, mais do que noutros partidos, é exposto publicamente, como foi domingo.”

Tecnologia Inclusiva

A líder tucana afirma que “as prévias foram preparadas por meses para serem muito transparentes, mas com a tecnologia, que preserva não apenas o direito ao voto dos filiados, portanto uma tecnologia digital que alcança lá o sertão pernambucano, os rios da Amazônia, as megalópoles do Sul, portanto, uma tecnologia inclusiva, extremamente transparente.”

Partido Intervencionista

“Falhou a tecnologia, não falhou a máquina em si. A máquina não falha, às vezes ela é mal utilizada. Era preciso de mais tempo para corrigir as falhas, enfim, falhou a tecnologia e aquilo explodiu publicamente pela divisão do partido”, diz. A política intervencionista ficou muito presente na gestão de Aécio Neves, afirmou Yeda Crusius. Citou o exemplo gaúcho: “Aqui para nós, no Rio Grande do Sul, foi claro isso. Então nós estamos há muito mais tempo, de maneira civilizada, operando o PSDB no Estado com esses dois grupos: o chamado PSDB democrático, que forma um grupo do qual , inclusive eu participei quando houve uma intervenção do Partido, na gestão do Aécio, com o Nelson  Marchezan Jr., como presidente nomeado do Partido, com uma comissão provisória, distituindo os eleitos. Nós acompanhamos, em quase todo o Brasil, desde a gestão do Aécio, esta cultura intervencionista , autocrático, quase coronelista marcou posição e explodiu no domingo das prévias onde se viu dois partidos: os democráticos, entre seus quadros, Arthur Virgílio e João Dória  e um intervencionista, autocrático  do Eduardo Leite e o Aécio Neves. É uma cultura”.

Dentro do calendário

Com o acontecido nas prévias, acentua Yeda Crusius, “se aplicará um aplicativo, um ou outro, se chamará para votação os credenciados, foram mais de 40 mil. Será até domingo, dentro do calendário das prévias”. A ex-governadora não acredita em um racha maior no partido, pois o racha já está feito. Envergonha-se, como presidente do PSDB Mulher, que é democrático por excelência os acontecimentos de domingo.

Barraco nas Prévias

Mara Rocha

A presidente Tucana acentuou: “me envergonha a deputada Mara Rocha (Acre). É a chamada vergonha alheia. Se eles não se envergonham, eu me envergonho por eles”. A presidente do PSDB Mulher esclareceu: “é a que fez o barraco lá nas prévias, mesmo tendo anunciado em abril deste ano o desligamento do partido.”

Tucana voando para Bolsonaro

Yeda questiona: “o que Mara Rocha estava fazendo lá? Logo após as eleições de 2018, no Acre, ela começou a manifestar total adesão ao governo Bolsonaro. Por que não sai? Para nós, desde abril, ela não está no partido, embora ela tenha o direito de votar. Ela vai votar num pré-candidato à presidente quando o dela é o Bolsonaro? Ela até pode ter o direito legal, mas não tem o direito moral de votar”, assinala a presidente do PSDB Mulher.

Fonte: Repórter Brasília – Edgar Lisboa

2021-11-24T10:29:50-02:00 24 de novembro de 2021|Tags: , , |

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