Transparência escancara fatos e resolve crises

Há expressões populares que dizem muito mais que muitos livros sobre os fatos do dia-a-dia. Cito alguns: “dinheiro não dá em árvore” para os assediados por gastadores, ou “roubar não vale” para jogos quando o juiz, digamos, erra, ou “festa no arraial” para descrever uma movimentação extraordinária. E muitos mais.

Fato a ser esclarecido aconteceu neste domingo, 21 de novembro, no dia de votar nas inéditas prévias do PSDB, com idas e voltas totalmente expostas pela mídia nacional – ofuscando inclusive o noticiário do ENEM. O fato foi que mais de 90% dos eleitores cadastrados não conseguiram votar pelo aplicativo disponível no celular, que travou logo no início da manhã. Por isso, a votação não acabou.

Versões, acusações, dúvidas, espanto, frustação. O que aconteceu? De quem foi o erro? Foi problema do aplicativo ou tentativa de golpe? Quem decide o que fazer? Festa no arraial! Não havia assunto mais empolgante do que as prévias na mídia nacional. O certo é que escolher o futuro candidato do PSDB a presidente da República por tecnologia de reconhecimento facial não é trivial. Em toda a inovação há riscos que devem ser avaliados para permitir que se sustente e justifique a coragem de fazer eleição dessa forma.

Em plena pandemia, quando as reuniões oficiais só podem ser feitas pelo modo presencial, fatos assim tornam-se de difícil equacionamento eficiente, próprio do debate gerado em reuniões onde todos os que tomam decisões estão. Afinal, prévias não são briga de moleque, nem jogo de futebol. É eleição, financiada por dinheiro público. Havia acusação de fraudes incendiando a campanha das prévias. Coisa feia.

No futebol, para resolver dúvidas, usa-se a tecnologia  com um time de árbitros suplementar, que é o VAR, com vídeo que aparece num aparelho de TV que o árbitro vai olhar para ver os casos duvidosos e tomar sua posição. Como eu sou do vôlei, lembro que existe no Desafio uma diferença básica, pois a tecnologia também é o vídeo, mas a decisão sobre o lance posto em Desafio é apresentada num telão do ginásio onde se realiza o jogo, transmitido muitas vezes pela TV aberta, e todos olham para a mesma coisa ao mesmo tempo. Não deixa dúvidas.

Sou do vôlei. Então, prefiro ter um VAR público, para que com a transparência dada se elimine as dúvidas, as acusações de tentativa de roubo. Quando as regras são claras, e impera a transparência durante todo o processo, não tem essa de roubo da taça ali nos últimos minutos do campeonato da democracia que são as prévias do PSDB. Houve mega mobilização, cumpriu-se a etapa inicial com cadastramento para votar por parte de mais de 40 mil filiados, foi feita a apresentação de suas propostas por parte de 3 candidatos.

Ainda há chances de terminar esse jogo inovador da democracia dentro das 4 linhas do campo democrático, feito de regras, respeito a elas e entre os times, com a ajuda do VAR. Com todo o processo sendo feito aberto, transparente, como é feitio do nosso PSDB, ou melhor, do meu PSDB Democrático, as informações da imprensa ajudarão. Ela, e o conjunto de mídias sociais que permitem a opinião livre, é o nosso VAR. Mas quem apita é o juiz, e na sua súmula se registra o resultado.

Explicadas e sanadas as fraquezas do aplicativo contratado, marque-se para os próximos dias até o dia 28, data prevista de um possível segundo turno já no calendário inicial das prévias, a votação para os mais de 90% de habilitados, com título de eleitor validado. Eu, inclusive.

Para isso, é imperioso que o telão da transparência permita ao árbitro dar continuidade ao jogo para que este, na inovadora festa da democracia que são as prévias, possa terminar, e se tenha o nome de quem, em nome do PSDB Democrático, se apresente ao mundo político para construir uma via democrática para 2022.

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher. Ministra do Planejamento no governo Itamar Franco (1993), Governadora do RS (2007/2010), Deputada Federal por quatro mandatos.

2021-11-25T10:26:25-02:00 25 de novembro de 2021|Tags: , , |

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