PT, fim de ciclo. PSDB: novas responsabilidades

Foto: Jefferson Bernardes

A roda da política evolui por ciclos, completando gerações. Creio que a geração política está em mudança, acompanhando os ciclos que escrevem a história. Teve o ciclo, bem longo, de Getúlio Vargas, iniciado nos anos 1930 e completando-se nos anos 1950, com seu suicídio. Na economia os ciclos são de 30 anos, e os ciclos longos que definem um período de revolução tecnológica abarcam 2 ou 3 desses ciclos de 30 anos. Getúlio construiu uma nova institucionalidade para o país nesse período, e depois dele para mudá-lo foi necessário ir dos anos 1960 até 1990, acompanhando o ciclo militar latino-americano em tempos de Guerra Fria, e depois dos anos 1990 até hoje, acompanhando o nascimento da União Europeia e a Globalização.

Em 1988, em meio à hiperinflação, veio a nova institucionalidade com a Constituição que temos até hoje, reformada e remendada, mas definidora de um tipo estável de sociedade, a que preza o Estado Democrático de Direito. Tanto é estável que neste curto período desde 1988 já passamos por dois processos de impeachment, a casa não caiu nem aconteceu qualquer tentativa de aventura que ferisse como em tempo outros nossa Democracia. Abaixo toda e qualquer ditadura, isso sim!

Eleição depois de eleição, o mapa político brasileiro andou nesses 30 anos desde 1988 passando pela inovação do PSDB e seu Plano Real com Lei da Responsabilidade Fiscal, indo depois ao PT e sua irresponsabilidade fiscal e apropriação partidária do patrimônio público, marcando o confronto PT vs PSDB como guia para administrações públicas e para as definições das políticas econômicas. Gravitando em torno, partidos grandes e partidos nanicos apegavam-se à perspectiva de poder fazendo suas alianças cada vez mais espúrias, mudando de lado conforme a conveniência de participar de nacos do poder eleito.

No ciclo que hoje vivenciamos, 1990/2020, a longa mudança tecnológica da era da internet agora está implantada e está a requerer a adaptação da sociedade ao novo ator político: mídia e redes. Desde a explosão dos mercados financeiros, tendo seu pico em 2008, e a implosão das ditaduras do Oriente Médio logo em seguida, com a tomada das praças através de chamamento pelas redes sociais, eleições sequenciais em todo o mundo confirmam o que as ruas já gritavam em multidões ordeiras: Chega de corrupção! Serviços públicos de qualidade! Liberdade, Liberdade!

No Brasil completou-se, conforme nos mostram os resultados eleitorais de 2016, o ciclo do PT, hoje bem conhecido e repudiado por ser organizador do tipo de crime que se abomina, com todos os malefícios que dele decorrem. Também é repudiada a política como feita sob as atuais regras através do crescimento dos votos brancos+nulos+abstenções.

Tempos de mudança! Operação Lava Jato a pleno. Exigência de inclusão de inovações para definir a agenda do Congresso Nacional. Junto com a imperiosa necessidade das reformas econômicas, não se pode mais adiar a mãe de todas as reformas, a política, sob pena de soçobrarem todos, como na Itália da Operação Mãos Limpas. Com o funcionamento livre das redes e da mídia, os atores pedem passagem. Excelente momento de voltar ao Congresso Nacional. Até lá!

*Yeda Crusius é presidente de honra do PSDB Mulher Nacional, professora Universitária, economista, comunicadora, consultora. Como política ocupou os cargos de Ministra do Planejamento e, como eleita, foi Deputada Federal por três mandatos, e Governadora do RS.

Publicado no site do PSDB Mulher
Data da postagem: 01/11/16

2017-09-04T20:06:55-03:00 1 de novembro de 2016|Tags: , , , , |

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