Plataforma Digital realiza o encontro regional “Somos a resistência” com as mulheres políticas do sudeste

Tucanas da região sudeste falam sobre as razões e os desafios que as levaram às urnas

A Plataforma Digital do PSDB-Mulher 2020 realizou nesta quarta-feira (05/08), às 17h30, o 4º evento que compõe a série de encontros com mulheres marcantes de todas as regiões do Brasil. Mediado pela coordenadora do PSDB-Mulher na Região Sudeste, Tiana Azevedo, “Somos a resistência” é o nome do Encontro Regional da semana, agora com as líderes políticas do sudeste.

Participaram do evento, a presidente Nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius; a prefeita de Vespasiano/MG e pré-candidata à reeleição, Ilce Rocha; pré-candidata à prefeitura de Paraíba do Sul/RJ, Eliane Cristina Almeida; a pré-candidata à vice-prefeita de Nilópolis/RJ, Andrea Castelo Branco Miranda; a vereadora e pré-candidata à prefeitura de Vitória/ES, Neuza de Oliveira; a presidente estadual do PSDB-Mulher em São Paulo e pré-candidata à prefeitura de Araraquara/SP, Edna Martins; e a prefeita de Paraguaçu Paulista/ SP, Almira Garms.

Porque somos resistentes?

Inicialmente, a coordenadora do PSDB-Mulher na Região Sudeste, Tiana Azevedo explicou as razões que motivaram o nome do encontro. “Porque somos resistentes? Por que queremos uma sociedade mais igual; educação de qualidade com tempo integral e creche para todas as crianças que precisam; uma cidade menos violenta; todos os brasileiros fora da margem da pobreza; a inclusão para quase os 40 milhões de brasileiros à margem da sociedade; saneamento básico para todas as pessoas; segurança pública e infraestrutura básica; maior representatividade nas casas legislativas; mais mulheres na política, mais espaços nos partidos e 50% das cadeiras no parlamento”.

Acompanhando ao vivo, a presidente de honra do segmento, Solange Jurema, deixou um comentário. “​Parabéns mulheres que participaram dessa live. Vocês representam muito bem as mulheres tucanas! Parabéns Tiana, pela coordenação”.

Em busca de candidatas

A prefeita de Vespasiano/MG e pré-candidata à reeleição, Ilce Rocha, “Há uma construção diferente do país com a participação das mulheres. Os desafios são enormes, e eles não aconteceram só no passado, acontecem todos os dias. Ser mulher e administrar é um desafio ainda maior”, destacou, relembrando sua trajetória política. Seguindo os passos do pai, Ilce também foi vereadora por alguns mandatos, vice-prefeita, prefeita e candidata a deputada.

Ilce enfatizou que é preciso estimular ainda mais as mulheres a adentrarem no mundo político. “Hoje nós temos muitas dificuldades, e eu enfrentei isso agora, na construção dos partidos, em encontrar mulheres para serem candidatas. Por mais que coloquemos cotas, metas para serem atingidas, coloque na lei, é importante despertar nas mulheres uma nova concepção, um novo rumo, essa participação na política. O grande desafio é conseguir que as mulheres saiam desse patamar de ficar quietas, e mostrar a elas que elas têm potencial. Com 50% ou não, temos que fazer um trabalho maior para estimular as mulheres e levá-las a participar em todas as frentes ”, disse a prefeita, destacando que o seu governo é composto de várias secretárias.

Ao compartilhar suas ações e experiências de mandato, Ilce afirmou que pegou a prefeitura de Vespasiano com muitas dificuldades financeiras. Durante a live, compartilhou as ações que executou para colocar ordem na administração pública do município. “Hoje posso dizer que Vespasiano é um verdadeiro canteiro de obras. Cumprimos com todos os nossos compromissos. Mesmo com a pandemia, buscamos romper com todas as adversidades e a cada dia provar que a mulher é capaz e ela consegue”.

 Gestão pública feminina

A presidente estadual do PSDB-Mulher em São Paulo e pré-candidata à prefeitura de Araraquara/SP, Edna Martins, afirmou que entrou na política pela pauta das mulheres. Fazia parte do movimento estudantil pelas mulheres nos anos 80. “Fundamos uma instituição no município – o Centro de Defesa dos Direitos da Mulher – por que aqui não havia nenhuma política pública destinada às mulheres. O principal embate que tivemos foi na política. Toda às vezes que pautávamos a discussão na Câmara Municipal era muito difícil para os homens compreenderem. A minha entrada na política se deu por uma reflexão de que nós precisávamos estar lá, onde as coisas eram decididas”, conta, relembrando que se candidatou a vereadora, eleita em 2000 e seguiu no cargo por três mandatos.

Para Edna, a mulher faz muita diferença nos espaços políticos. “Nas prefeituras, já estamos criando a marca do que é a presença das mulheres na gestão pública: uma gestão em que as pessoas possam confiar, de seriedade e bons resultados (…) Mulheres, crianças, idosos têm necessidades diferentes. E as mulheres têm conseguido compreender isso e trazer políticas públicas eficientes para enfrentar esses problemas que acontecem nas nossas cidades”. Segundo ela, os partidos políticos ainda precisam avançar muito no apoio à participação feminina. “A nossa representação política é muito tímida. São muitas as dificuldades que a gente acompanha junto às candidatas mulheres, às vezes nesses embates com as lideranças masculinas nos municípios”.

Empoderamento feminino

A vereadora e pré-candidata à prefeitura de Vitória/ES, Neuza de Oliveira (Neuzinha), contou que começou a participar da política acompanhando o trabalho comunitário dos pais no morro. “A política nunca foi pra mim objetivo de vida. Na época ainda tinha showmício. Meu pai era um grande líder e fazia mobilização. Os políticos o ouviam, mas iam embora, mas a voz do povo não ecoava nas casas de poder. O povo não falava e isso me incomodava”. Neuzinha foi eleita líder comunitária com 15 anos de idade.

Entusiasmada, a vereadora estimulou o empoderamento feminino.  “Para as mulheres que estão vindo para a primeira disputa de mandato, não fiquem com medo. O mais importante agora é nós acreditarmos em nós mesmas. Se não acreditarmos em nós, como iremos transferir essa credibilidade para a população poder votar?”.

Neuzinha deu dicas e instruiu as pré-candidatas que estão interessadas em uma vaga de vereadora. “Você que é do povo, que tá ouvindo a população, você sabe, sentindo na pele, onde dói o calo. Aí você vai apresentar proposições políticas, não para inventar a roda, mas pelo contrário: coisas que dá pra você apresentar, e que aquilo vai ser realizado. Porque o maior prazer político é realizar. Ai sim você continuará na vida política (…) Ninguém empodera ninguém, você é que tem que se colocar nessa posição”, reiterando a importância de se ter uma bandeira eleitoral. Neuzinha se colocou como pré-candidata à prefeitura da capital capixaba sabendo que não vai ser fácil. “Vai ser a batalha do tostão contra o milhão, mas nós temos que encarar. O PSDB não é partido de coxinha não, eu vim do morro, da gurijuba, vim de comunidade e de periferia. Não tenho parente político no estado ou deputado. Eu tenho é muito trabalho”.

De empresária à política

A pré-candidata à prefeitura de Paraíba do Sul/RJ, Eliane Cristina Almeida, afirma que é a primeira vez que disputa uma vaga na gestão publica. “Sempre gostei da gestão privada. Há 15 anos fundei a minha primeira empresa. Tive muitas dificuldades com o poder público. Acreditando que eu poderia romper isso, trazendo mulheres para trabalharem comigo, entendi que é preciso ter um olhar para os empresários por parte pública”, disse, destacando que vai sair de trás de um balcão (de empresa) para ir para frente de outro balcão (da prefeitura).

Eliane fala que o seu município enfrenta várias dificuldades. “Gostaria de participar e ver o que é verdade, e o que realmente pode ser feito em relação às políticas públicas. Acredito em um governo para todos”. A pré-candidata quer engajar mais mulheres para a política. “A mulher nunca foi voz ouvida, nem quando eu representava as minhas empresas. Venho despertar e convidar as mulheres para a política. É difícil sim, mas juntas podemos encorajar umas as outras. Chegou a hora da mulher. Vamos contribuir muito para o desenvolvimento de uma cidade inteligente, um município sustentável. Eu acredito e tenho que acreditar”.

Cidade conservadora

A pré-candidata à vice-prefeita de Nilópolis/RJ, Andrea Castelo Branco Miranda, contou porque entrou na política. “Sempre estive envolvida com ações sociais de forma geral. Eu disse não ao convite de Juan Medeiros para a vereança por três vezes. Até que eu não pude dizer não. Percebo que fiz política a vida inteira. Imagina se eu ganhasse realmente outras ferramentas que pudessem multiplicar e ampliar essa ajuda? Isso me fez falar sim para ele”, afirmou.

Andrea comentou que sua cidade, da baixada fluminense, é movida por coronéis, muito conservadora, e que não há nenhuma mulher na Câmara de Vereadores e nenhuma foi prefeita. A pré-candidata relembrou que quando foi em sua primeira reunião política, de 20 pessoas presentes só três eram mulheres. “56% da população de Nilópolis é composta por mulheres. Cadê as mulheres? Que política é essa? Porque nós nunca nos unimos para mudar toda essa realidade? Tenho ideias para a cidade. Nilópolis tem uma grande oportunidade de mudança. Estamos crescendo não só para a política, mas para a vida”.

Mãe candidata sem o apoio dos filhos

A prefeita de Paraguaçu Paulista/ SP, Almira Garms, destacou que está há 40 anos na política acompanhando as atividades políticas do marido. “Fui convidada para participar e fui eleita vereadora por quatro mandatos, duas vezes presidente da Câmara. Fui a que tive mais votos na minha cidade”, disse Almira, relembrando que o maior desafio foi dizer aos quatro filhos, após a morte do marido, que seria candidata à prefeita. “Eles ficaram horrorizados e eu saí de lá muito mal. Não esperava que a reação fosse daquela maneira. Mesmo sem o apoio dos meus filhos, resolvi ser candidata, rebeldemente. Foi muito dolorido pra mim”.

Paraguaçu Paulista tem pouco menos de 50 mil habitantes. O objetivo de Almira era incluir novamente a sua cidade como estância turística. “No final de 2017, nós conseguimos que 35 convênios fossem desengavetados e pudéssemos assinar. Foi tudo muito difícil, mas nós conseguimos”, destacando que com 45 dias de gestão, a prefeitura foi incendiada. “Fomos para uma escola. Faz duas semanas que voltamos. Tivemos vários desafios”. A prefeita comentou que são apenas duas vereadoras na Câmara de sua cidade. “Os vereadores são muito exigentes, por ser uma gestão de uma mulher. (…) Somos um potencial e não notamos. Precisamos nos descobrir. A política é amar o outro, e nós mulheres temos todo o potencial para isso”.

PSDB em apoio às candidaturas femininas

A presidente Nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius, afirmou que o encontro virtual das mulheres do Sudeste representou quase que a metade do Brasil em termos populacionais. “Nesses estados do Sudeste, é onde temos o maior número de prefeituras. Minas Gerais é gigante, é quase um continente. Mas também temos os maiores problemas. A vida começa nas cidades e está nas cidades”.

Yeda Crusius enfatizou que o apoio do PSDB Nacional para aumentar as candidaturas femininas é fundamental. “Essa eleição é muito importante, e tem que ser transformadora se o partido continuar acordando para ser diferente dos outros partidos naquilo que tange a priorizar a eleição de mais mulheres na política. Isso lá em 2018 nós fizemos e o resultado todos conhecem. A bancada das mulheres dobrou na Câmara dos Deputados e nos elegemos a senadora Mara Gabrilli”.

Para a presidente Nacional do PSDB-Mulher, idealizadora do projeto de capacitação das candidatas tucanas, o comitê eleitoral das mulheres de todo o Brasil é a Plataforma Digital. “Peço que vocês acessem o www.plataformapsdbmulher2020.com.br e conheçam os cinco pilares. Esses cinco pilares carregam uma enorme ponte entre o que nós fomos e o que nós vamos vir a ser. Mobilizem nossas redes para participar. (…) Nós estamos oferecendo às pré-candidatas o que elas precisam para fazer campanha, uma forma de como usar o mundo virtual. Eleição é emoção. Nós preparamos um ensino à distância que escolas e faculdades ainda não têm. O PSDB-Mulher tem. Está na Plataforma. São seis módulos que irão nortear a sua campanha. Agosto é o mês do EAD. Só vamos ter espaço de poder garantido quando mais gente tiver escrita no curso de capacitação”.

Segundo ela, a Plataforma faz história em 2020 e é democrática, já que todos os eventos estarão disponíveis de forma permanente na internet. Yeda relembra que em 2018, o PSDB-Mulher atendeu 300 candidatas. Em 2020, a previsão é 10 mil. Num contexto de pandemia, o processo eleitoral deste ano já está sendo diferente e virtual. “O mundo mudou e vai mudar muito. A saída dessa crise sanitária do coronavírus ninguém sabe como vai ser. Valorizemos as mulheres. Quem cuida é a mulher. Somos maioria absoluta, mas minorias no poder. Vamos acordar as pessoas pra dizer que enquanto o mundo tiver esse tipo de desigualdade, não é porque queremos postos de poder, é porque se perde o nosso jeito de cuidar”.

Com duração de 2h, o encontro contou com mais de 440 visualizações. Todas as participantes responderam perguntas ao vivo para mulheres pré-candidatas de todas as regiões do Brasil, como Nova Marilândia/MT, Campos/RJ, Pilar do Sul/SP, dentre tantas outras cidades.

Se você perdeu o Encontro Regional, não tem problema! Assista a íntegra no site www.plataformapsdbmulher2020.com.br ou por meio do Canal Oficial da Plataforma no Youtube https://youtu.be/yKCJaMcUK1g.

Data da Notícia: 05/08/2020

2020-08-18T17:43:49-03:00 6 de agosto de 2020|

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