PERDAS E GANHOS DAS ESCOLHAS

Porto Alegre, 23 de setembro de 2021

Imagem retirada do Jornal “Click Diario”

Quando se escolhe dentre todas as alternativas, fica-se apenas com uma, e perdem-se as outras. É tão importante e complexo esse tema que o Prêmio Nobel nos últimos anos tem ido por várias vezes, seja no campo da economia quanto de outros, para autores que desbravaram a Teoria da Decisão.

Desde a queda do Paraíso, a partir da qual se escreve a jornada humana, sabemos que há perdas nas escolhas tornando o passado da delícia do mundo original – o paraíso – algo que não se recupera. Há que se assumir as consequências das escolhas, sem negar o sentimento que as perdas nos trazem.

Quando fui caminhando na vereda da ação política, minha mãe Sylvia me disse: “esse caminho é difícil, prepare-se para sofrer”. O que me movia passava pela política sim. Política como a arte do convívio na sociedade, através da qual as escolhas coletivas, para além das individuais, são decididas. A política passa pelo exercício por meio dos partidos políticos, hoje desacreditados por causa das disfuncionalidades de um mundo em intensa transformação.

Os partidos políticos não conseguem responder às novas demandas na mesma velocidade, e com a mesma eficiência, de quando foram criados. Quando no correr dos tempos, a Democracia se mostrou a forma de convívio que trazia os mais humanos dos resultados (Liberdade, Igualdade, Humanidade), dentro de regras republicanas que têm permitido o convívio mais pacífico entre pessoas, entre povos, entre nações.

Há muita injustiça, desigualdade, desequilíbrio ambiental, o que na soma torna as sociedades intrinsecamente violentas. A violência recai sobre os grupos mais vulneráveis da sociedade, sabemos, e para enfrentar essa dinâmica não há outro jeito que não fazer as escolhas políticas de modo democrático. O retorno a governos autocráticos, corruptos, populistas, traz o fantasma do retrocesso, que, batendo à porta, assusta, privando as pessoas das liberdades conquistadas. Há que resistir.

Mas a convivência dentro dos partidos políticos é difícil, já que tem tido base numa tendência mais competitiva do que solidária. Há lugar para todos participarem, mas para chegar ao topo só existe lugar para poucos. No seu método de organização, os partidos diferem entre si – há os que têm dono, há os que praticam o jogo democrático. Escolhi participar de um partido que tem Democracia no seu nome, que defende o Parlamentarismo, o Municipalismo, e a Ética na política, fundado por líderes que na sua história de vida não tiveram medo de enfrentar, em nome de uma sociedade mais fraterna, até mesmo os fuzis nas ruas. Fui acolhida por esses líderes e com eles tenho tido uma convivência fraterna e produtiva.

Há pedras no caminho. Quando governadora, passei pelo período em que o método do assassinato de reputações, praticado por meio do aparelhamento das instituições, levou a um exílio político de modo violento – apesar de não pelas armas tradicionais – vários políticos valorosos. Hoje, se paga pelo aprofundamento desse método, desacreditando instituições de Justiça e de Comunicação, pilares de sustentação para uma sociedade mais justa, fraterna e livre. Cavacos do ofício, dizia Sylvia.

Essa prática afetou a vida dentro dos partidos. Lembro que, terminado meu mandato de governadora, foi feita pelo PSDB uma escolha pela “política das intervenções”, que retirava dos cargos para os quais haviam sido eleitos dirigentes (Diretórios constituídos) para serem substituídos por uma Comissão Provisória de 5 pessoas, escolhidas pelo poderoso local ou nacional.

Para muitos de nós, essa prática feria um princípio básico de democracia interna, e então participei da criação no RS de um movimento que chamamos de PSDB Democrático. Fomos acompanhados por um grupo do partido no DF.  Não prosperou, e vários quadros – inclusive fundadores, e jovens, saíram do partido.

Fechadas algumas janelas locais pelas quais se respirava o convívio democrático, resolvi me dedicar ao PSDB-Mulher Nacional, que havíamos criado em 1998, muito sob a liderança de André Franco Montoro e sua Luci. É assim que pratico em todo o país o #Mais Mulheres na Política, felizmente com significativos resultados. Incipiente, porque somos ainda o penúltimo país na América Latina em participação de mulheres na política. Vergonhoso. Muita luta pela frente ainda.

Uma das principais razões para que nosso segmento de mulheres no PSDB tenha essa história, depois de mais de 20 anos, é praticar a democracia interna. O apoio é a regra, e não se tutela em nenhum município ou estado a opinião e o voto das mulheres. Hoje buscamos mobilizar as mulheres de todo o país para participar ativamente das prévias que vão definir o nosso pré-candidato a presidente da República, para uma candidatura de Centro junto a outros partidos. As peculiaridades de cada estado são respeitadas, assim como a escolha individual de cada mulher, em nome da unidade na defesa das políticas públicas de igualdade e sustentabilidade.

Dada a divisão na nossa sociedade, premida pela agressividade dos extremos, é certo que teremos perdas no caminho. Que não erremos no rumo, apesar de sentir muito pela perda de parceiros e parceiras valorosos, que construíram essa história de um PSDB que transformou o país, e suas comunidades, para melhor.

2021-09-24T13:21:11-03:00 24 de setembro de 2021|

Deixe um Comentário