O mal-estar dos anos 20

*Por Yeda Crusius

  1. Quarta-feira, um lindo dia de outono em Porto Alegre começou com a atrapalhação na máquina de lavar/secar roupas. Deixei lavar delicadas roupas pretas de inverno junto com a toalhinha branca de secar. Resultado: roupas novas, pretas, cheias de bolinhas brancas.

Cavacos. Tentei consertar o estrago e retirar o máximo que conseguir com o rolinho com cola, mais o aparelho de barbear, mais o lado verde da esponja de lavar louça. Alguma coisa melhorou.

Mas, há coisas que não tem conserto. Suspiro.

Como o apagar de uma vida. O vazio para os que ficam.

Como o trauma vivido lá atrás que, aparentemente esquecido, vive no inconsciente. Emerge nos sonhos. E nos pesadelos recorrentes.

Por me conhecer, me estranho. Sou de enxergar o copo meio cheio. Senão não teria feito política, nem escolhido a vida pública. Hoje o vejo meio vazio. Bem vazio.

Hoje estou vestida do luto por tantas coisas que não tem conserto, que fazem parte da realidade noticiada. Sequencialmente, tirando o fôlego. Profundo luto. Não apenas pelas vidas perdidas na Ucrânia ou pelo retorno às estatísticas de contágio e morte pelo coronavírus transmutado, nem pela estatística do desmatamento programado ou pelas crianças mortas no massacre da escola da cidadezinha do Texas, nem pela notícia da morte por acidente de Jesse Kox com seu golden retriever chamado de Shurastey, ou pelo veto do presidente ao título para a psiquiatra Nise da Silveira. Agora me chega a notícia da morte de David Coimbra.

É por tudo isso e muito mais.

Esses fatos são a amplificação do sentimento de mal-estar geral dos tempos que vivemos. É muita coisa negativa, fim de ciclo podando o que está podre. Tempos de poda.

Para ordenar as ideias no seguir o fio da história, separo o tempo em décadas, para cada século. Há um século, nos anos 20 do século XX, o mundo vivia um ciclo semelhante ao que vivemos hoje, os anos 20 do século XXI, o do novo milênio. Nos anos 1920 vivia-se muita coisa nova com a Revolução Industrial e suas novas máquinas, em meio a muitas vidas perdidas para a guerra que as usava. Pela peste, a da gripe espanhola, 50 milhões de vidas ceifadas. Foi então escrito em 1929 por Sigmund Freud “O mal-estar na civilização”, que tomo como condutor para escrever essa crônica.

Escrito às vésperas do colapso da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e publicado em Viena no ano seguinte, O mal-estar na civilização é uma penetrante investigação sobre as origens da infelicidade, sobre o conflito entre indivíduo e sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada. Este clássico da antropologia e da sociologia também constitui, nas palavras do historiador Peter Gay, “uma teoria psicanalítica da política”.

Há vários tipos de peste, algumas mais novas como a econômica em um mundo globalizado, somando-se a outras que tem marcado a história da humanidade, como as epidemias. A da violência. Lembro que no longuíssimo prazo da História, a Humanidade é muito recente dentro do universo existente há bilhões de anos. Não vem de muito o registro de sua evolução através dos fatos para que a História se escreva.

O que houve nos anos 1920 que me fazem pensar que aquele passado está de volta nos anos 2020? Siga o fio.

Entre as velhas e repetitivas pestes está a política da guerra. Com os estilhaços ainda por recolher da destruição causada pela I Grande Guerra (1914/1918) e seus milhões de mortos, preparava-se a Humanidade para a mais mortal e sangrenta delas, a II Grande Guerra (1939/1945).

Os anos de 1920 registraram a peste sanitária, recorrente, então causada pela gripe espanhola que levou à morte 50 milhões de seres humanos. Outros milhões já haviam sido ceifados na primeira década pela febre amarela, febre tifoide, varíola. Nosso sanitarista Oswaldo Cruz veio provar que eram transmitidas pelos animais transmissores, e pelo ar lançando o vírus que se hospeda no corpo. Com elas o isolamento forçado, o uso de máscaras, enfim, a busca do controle do vírus até que se criasse a vacina.

Oswaldo Cruz foi diretor técnico do Instituto Soroterápico Federal, na Fazenda Manguinhos. Em 1903, foi nomeado pelo presidente Rodrigues Alves para o importante cargo de Diretor-Geral de Saúde Pública.

Nesse período enfrentou os seus maiores desafios. Para combater a epidemia de peste bubônica, empreendeu uma série de medidas que incluíram o isolamento de doentes, notificação compulsória de casos positivos, captura de vetores, além de uma larga campanha de saneamento, que reduziu a incidência de ratos (cujas pulgas transmitiam a peste). O resultado foi uma diminuição drástica dos casos na cidade.

No combate à febre amarela, novos obstáculos. A maioria da população (inclusive boa parte dos médicos) acreditava que a doença era transmitida pelo contato com o sangue, suor e secreções, por isso eram realizadas desinfecções nas roupas e casas dos doentes. Oswaldo Cruz tinha outra teoria, que se confirmou verdadeira: o vetor de transmissão era um mosquito. Com isso, parou de realizar as desinfecções e focou todas as energias das brigadas sanitárias na eliminação de focos de mosquito em casas, ruas, jardins e quintais. Mesmo com violenta reação contrária da população, as medidas foram um sucesso e reduziram o número de casos de febre amarela.

Mas foi em 1904 que Oswaldo Cruz enfrentou sua maior oposição. No meio de um devastador surto de varíola, o sanitarista convenceu o presidente Rodrigues Alves a decretar a vacinação obrigatória de toda a população. Foi o estopim para o fato histórico que ficou conhecido como a Revolta da Vacina. Jornais foram contra a medida, o Congresso questionou, a população se rebelou pelas ruas e a Escola Militar da Praia Vermelha também protestou contra o que consideravam uma medida autoritária do governo.

A rebelião durou uma semana e foi vencida pelo Governo. Mas Oswaldo Cruz acabou derrotado: Rodrigues Alves ouviu a população e a vacinação deixou de ser obrigatória. Mesmo assim, com a ampla imunização dos habitantes do Rio, em poucos anos a varíola foi praticamente erradicada, Alguns anos mais tarde, em um novo surto da doença, foi a população que buscou os postos de vacinação por conta própria. (www.ccms.saúde.gov.br)

Apesar das grandes dificuldades que passou, sua resiliência e a fidelidade aos princípios da saúde pública fizeram com que Oswaldo Cruz fosse consagrado no Brasil e no mundo. Tornou-se herói nacional e foi premiado no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, na Alemanha, em 1907. Em 1918, um ano após a morte precoce do sanitarista (aos 44 anos), o então Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz. Em 1970, foi renomeada para Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e hoje é considerada uma das maiores instituições de saúde pública do mundo.

Sobre elas somou-se a grande peste econômica, causadora de fome e de desemprego, que se seguiu à queda da bolsa de NY em 1929, e a subsequente Grande Depressão jogando milhões de desempregados na miséria – com isso catapultando a subida dos líderes totalitários do fascismo, do nazismo e do comunismo

2. Custou muito em todos os sentidos levantar o mundo dessa triste história de novas e antigas pestes matando milhões e milhões de pessoas, controladas pelos tiranos de plantão. Ao final da II Grande Guerra, em 1944, criada a Nova Ordem Internacional, o mundo se dividiu em dois pela chamada Guerra Fria, que só terminou com a queda do Muro de Berlim em 1989. Aqui no Brasil iniciávamos com a Constituinte de 1988 um novo ciclo, acompanhando o mundo na reconstrução dos anos 1990, e a volta às eleições livres.

Foi um longo e acelerado período de reconstrução das sociedades, baseado na cooperação internacional e em contratos globais, sob o manto da Guerra Fria. Vieram as Agendas da ONU, da qual participam praticamente todos os países do mundo. A economia aos poucos foi entrando num círculo virtuoso de crescimento, apropriando-se dos frutos da Revolução Tecnológica da Internet.

Espreitando tudo e bebendo daquele ambiente, as desigualdades.

3. Agora, na década de 2020, o passado está de volta.

O mundo assombrado vê em tempo real a guerra na Ucrânia; a peste do covid19 e seus mais de 6 milhões de mortos até agora – e os incontáveis sequelados pelo novo vírus; crescem a inflação, a miséria e o desemprego, acompanhados pela concentração de renda e vertiginoso crescimento das desigualdades.

Lendo sobre Oswaldo Cruz associo aquela à nossa época. As mesmas imagens do Brasil de hoje. A sua divisão. O aflorar dos extremos. O negacionismo.

Mas há um novo fator, de natureza tecnológica. Nos perguntamos se o uso dessas fascinantes invenções pela mesma Humanidade que as criou não pode ser classificado como uma nova peste: a que desumaniza as sociedades pelo avanço da Internet 5.0 (IA), seus donos, e suas realidades paralelas. Engenheiros do caos, rupturas, fake news. Ameaçam de morte as democracias liberais, conquista do rescaldo das grandes guerras.

Vamos lá com a pergunta: invenções que foram vistas como criadoras de liberdade via comunicação podem ser o velho “criador contra a criatura”? Pode se transformar em um instrumento de controle, de repressão e de violência ameaçando o que há de humano nas sociedades?

O certo é que há essa sensação de mal estar descrita por Freud no seu tempo, no choque entre o indivíduo e a cultura=sociedade. Homens tentam ser deuses na sua busca de dominar o mundo. Como pode então o solitário indivíduo livrar-se desse mal estar na sociedade?

Com a realidade virtual de nosso tempo e o vertiginoso crescimento das redes sociais, assombra o mundo a concreta possibilidade de estarmos sendo vigiados e controlados pelo Grande Irmão, o do controle através das máquinas (Ver Orwell e seu 1984, escrito em 1947, logo depois dos horrores da II Grande Guerra).

Entre a segurança e a liberdade, estamos sendo asfixiados na nossa liberdade, levados a aceitar isso em troca de (enganosa?) segurança.

 São tempos em que a máquina vai entrando na vida de todos, distanciando-nos da natureza e não deixando muito espaço para a escolha. Dependemos das máquinas (celulares) para ter acesso a todo tipo de coisa. Serviços públicos básicos. Pagar contas. Marcar consultas. Colocar o filho na creche. Falar com os pais, com os filhos, com os amigos. Declarar o imposto de renda – sem a tal declaração somos considerados não-cidadãos. Tudo pela internet. Quer falar com alguém querido, ou avisar que alguém adoeceu e precisa de hospital? Use o telefone celular. Não adianta saber falar e escrever: temos que falar com as máquinas, no dialeto delas – ou seja, temos que aprender esse novo dialeto que é o de “coloque sua senha”. “Tecle 1 para (…)”. “Aguarde que atenderemos quando estivermos livres”. “Tecle 4 para (…)”.

O pesadelo da incomunicabilidade, o mal-estar que gera.

O usuário do celular, saiba ou não, a cada “conversa” que tem com a máquina, fornece a uma bigtech todos os seus dados, que são usados como bem entenderem os donos do Google, do Whatsapp, do FaceBook, do Instagram, do Twitter. Os cidadãos são classificados pela burocracia segundo seu CPF. Não param, empresas e governos, de aumentar seu poder inclusive de aceitar ou não o que o indivíduo pensa, sua opinião, sua escolha. Cresce de todo o lado o movimento de censura, de cancelamento, de intimidação.

Crédito: Pixabay

É heroica e muito longa a briga contínua nos tribunais para que os indivíduos possam ter acesso AOS SEUS PRÓPRIOS DADOS, OS DADOS QUE A MÁQUINA TEM porque eu “conversei” com ela – OU MELHOR, ATRAVÉS DELA. Nem é apenas pelo uso da máquina, é pelas câmeras instaladas em todos os lugares, públicos e privados, ao bel prazer dos governantes, pretensamente para lhes trazer segurança. Por elas, sinto muito: você é um registro. Inescapavelmente.

Com as poderosas ferramentas de que dispõem as máquinas da Internet 5.0, passam a me conhecer melhor que eu mesma porque processam as minhas informações numa velocidade que nenhum humano é capaz de fazer. Com isso, hoje é impossível se ganhar uma partida de xadrez que um humano joga com um robô. Com isso inclusive conduz o meu voto.

  1. Metaverso. Matrix. Ruptura. Essa é a peste presente nesse começo de milênio, quando a tecnologia permite criar realidades paralelas que impedem o indivíduo de saber o que é o mundo de verdade. Crescentemente os direitos são os que a máquina diz que o indivíduo merece. Criando realidades paralelas aos fatos, aliena-o da verdade.

O mal-estar na civilização agora é esse: a falta de sintonia entre o indivíduo e a sociedade que ele mesmo criou. Por isso é tão bem vinda a coluna de Fernando Schüller na Veja, com o atrativo título “A Arte da Vida O desejo humano: pandemia fez urgente o que era distante (22/05/2022).

Na linha do artigo, diante desse mal estar, indivíduos escolham o que Jesse Kox escolheu: pegar a estrada. Ou como milhões de brasileiros, que ou vão morar em outro país, ou retornam ao campo. Com a pandemia, o que era latente passou a ser urgente. Nada de esperar a aposentadoria: viver AGORA.

Reconhecendo essa fonte de mal estar, como evitar esse mundo que antes pertencia ao mundo da ficção? O que fazer?

Tiranos e doentes sociais vão espalhando suas bombas, dando seus tiros através de armas cada vez mais mortais como rifles automáticos, destruindo o meio ambiente e sua infinita riqueza, na sua jornada de estéreis de humano destruindo o que receberam de vida que acham pela frente. Agem por acreditarem que são Deus e, portanto, senhores de tudo. São os deuses da guerra.

E a mulher?

Os deuses da guerra as odeiam. De todas as formas buscam negar a realidade de que é por elas que vem a vida, a que eles não podem criar. Resta-lhes tentar se apropriar das outras pessoas, da natureza, e dos frutos a partir delas criados pela ciência e pela tecnologia, na busca do domínio, do poder. Como não podem se apossar disso, matam.

O dinheiro também foi uma criação humana, a princípio para facilitar as trocas. Mas pode ser uma arma de dominação. Entende-se a genial criação das criptomoedas, como o bitcoin, na sua intenção libertária. A bomba atômica, que Putin ameaça usar na sua guerra iniciando pela Ucrânia, foi criada em laboratório para o homem conhecer como se domina o átomo, e a partir disso gerar energia eterna a partir de uma simples fábrica, aquela das chaminés curvas. Só que a pesquisa foi financiada pela máquina de guerra. Tornaram-se donos. E virou arma. Virou bomba que, uma vez fabricada, tem vida eterna. Do lixo atômico o homem ainda não sabe como se livrar. A criação passa a dominar o criador, sobrevive a ele, assombrando-o.

É como o novo vírus. Alguns dizem que escapou por erro de manipulação em um laboratório. Mesmo não sendo um ser vivo, muta, se transforma, buscando a própria reprodução usando a vida na qual se hospedou. Ainda não se sabe como controlá-lo. Enfrentamos a realidade de nossos limites como humanos. São, em 2 anos, até agora, mais seis milhões de mortos. Leva medo e isolamento aos seres que só evoluem pelo convívio, pela diversidade, com a consciência da finitude da vida, para caminhar para a frente.

Mal-estar. Putin. Vírus. Política. Quando a política vira instrumento com o viés de conquistar o Poder pelo Poder, mirando o dinheiro, o usa como arma de controle. Através do dinheiro, controla, intimida, escraviza, minando a seiva da liberdade e da esperança com que é constituída a sociedade humana. Com toda a pequenez que desvela a fase atual, pela política se tem vetado a possibilidade de termos uma opção quando o ciclo político nos vai nos colocando apenas duas opções, as de extremos, sufocando as democracias liberais, as democracias eleitorais, as democracias sociais.

Não bastasse os maus passos dados pelas elites políticas, um fruto delas nos choca, trazido pelas notícias em tempo real transmitidas pela internet das comunicações.

Ontem, mais uma chacina. No Texas um jovem de 18 anos, com 2 rifles recém comprados porque a lei lá permite livre acesso de adultos a qualquer arma, entra numa escola de crianças de 2ª à 4ª série, portanto com menos de 12 anos, escola onde havia estudado, mata 19 crianças e 3 adultos. A contabilidade ainda não fechou. Há feridos nos hospitais. Por que os políticos não mudam as regras que permitem o acesso a armas indiscriminadamente, em nome da liberdade?

Putin, ontem, avisa que “sua” guerra será longa. A máquina de destruição vai durar muito. Demonstrando que tem prazer em matar e em mostrar que mata por prazer, já havia bombardeado um teatro com mais de 1.500 crianças, mulheres, velhos, doentes, que se protegiam das outras bombas que caiam na cidade destruída. O mesmo fez com uma fábrica em Maripol. E segue na sua sanha. Por que não há quem o detenha?

Tânato ou Tânatos (em gregoΘάνατοςtransl.: Thánatos, lit. “morte“), na mitologia grega, era a personificação da morte, enquanto Hades reinava sobre os mortos no mundo inferior. Tânato é filho, de Nix, a noite,[1] e Érebo, a escuridão, filhos do Caos.[2] Tânato é a personificação da morte, tânato foi o primeiro dos gémeos a nascer de Nix, nascido em 21 de agosto, tinha essa data como o dia preferido para arrebatar as vidas, enquanto Hipno é a personificação do sono. Os irmãos gêmeos habitavam os Campos Elísios (País de Hades, o lugar do mundo subterrâneo), e dificilmente eram visto separados. Tânato é um personagem que aparece em inúmeros mitos e lendas, assim como aparece na história de Sísifo e do rei Midas, que por serem as mais importantes se dispersaram com maior facilidade.

Para contrapor, Eros.

Eros casou-se com Psiquê, com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psiquê, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Eros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do deus, se distrai e deixa cair uma gota de cera sobre o peito de seu marido, que acorda. Irritado com a traição de Psiquê, Eros a abandona. Esta, ficando perturbada, passa a vagar pelo mundo até se entregar à morte. Eros, que também sofria pela separação, implora para que Zeus tenha compaixão deles. Zeus o atende e Eros resgata sua esposa e passam a viver no Olimpo, isso após ela tomar um pouco de ambrosia tornando-a imortal. Com Psiquê, teve Hedonê, o prazer.

Na fase atual dos tempos, domina Tanatus, com seus deuses da guerra.

Então por tudo isso confesso: estou em luto.

Eu e outros. Transcrevo aqui um trecho da coluna do Schüller, mostrando o copo meio cheio. Degustem.

Muita gente resolveu dar um tempo durante a pandemia. Nos Estados Unidos, há muita discussão sobre o que se chamou de the great resignation, ou a “grande demissão”, com mais de 47 milhões de pessoas caindo fora de seus empregos, por conta própria, apenas no ano passado. Pesquisas mostram que o número de sabáticos triplicou nos últimos quatro anos. Sabáticos podem significar muita coisa. Um amigo me disse que iria sair da “linha de produção”. Acabou virando cozinheiro em Portugal. Outro simplesmente deu uma parada para repensar as coisas. Muita gente fala na “geração burnout”. Outros dizem que é apenas uma questão de mais oportunidades. A nova economia digital amplia as chances de trabalho a distância, de alugar ou vender coisas, negociar bitcoins, inventar algum aplicativo. Moisés Naím já havia falado em uma “revolução da mobilidade”, e isso bem antes da pandemia. Agora tudo parece ter ganhado alguma velocidade.

Publicado em 21 Maio 2022. Com tela O alemão Goethe na Itália: rito de passagem no século XVIII – VCG Wilson/Corbis/Getty Images.

Sei que a História não tem fim. Pelas perdas, se requer o tempo do luto. Introspecção. Dedico-me a ela.

Depois… bem, depois, a luta continua.

*Yeda Crusius é presidente do PSDB-Mulher Nacional, governou o Rio Grande do Sul, foi ministra do Planejamento e deputada federal por quatro mandatos.

Data do Artigo: 27/05/2022

2022-05-31T17:49:52-03:00 27 de maio de 2022|Tags: , , |

Um Comentário

  1. Vivian wehba 29 de maio de 2022 às 17:32 - Responder

    Tantos lutos vividos diariamente há tanto tempo que nem sei…a tristeza fica impregnada . E pra piorar a esperança fica casa vez mais distante.

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