Luízas e as ações políticas para além dos partidos

*Por Yeda Crusius

Assim como no estudo das raízes ancestrais da violência, é preciso avançar na ação política que nos permite sonhar com uma sociedade mais justa, menos violenta, mais fraterna e sustentável. Fazem parte da sociedade patriarcal estruturada como a que vivemos pessoas que, sem recorrer à espada com o uso da violência, com a promoção de guerras – mesmo as virtuais das fake news, usam outras ferramentas disponíveis para construir a necessária mudança.

Uma dessas pessoas, com uma vida de já 69 anos e um patrimônio de 5 bilhões de dólares, conquistado com competência e trabalho, poderia se deitar sobre esse leito de riqueza construído mas segue trabalhando entusiasmada e incansavelmente pela necessária transformação pela qual clama nossa sociedade. É Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, paulista nascida em Franca. Luiza Trajano faz política sim. Não partidária, mas política, na mais clara acepção da palavra.

São muitas as Luizas desta vida, poucas com patrimônio acumulado além daquele que resulta das ações de generosidade acumulado com o que praticam a cada dia. São, por exemplo, as agentes de saúde que na terrível pandemia da Covid-19 arriscam sua própria vida para tratar daqueles que caem frente ao vírus que o sistema de saúde não dá conta de atender. São agora 500 mil brasileiros mortos pela propagação, tantas vezes irresponsável, desse mal que só é visível com potentes microscópios.

Falemos das ações de Luiza Trajano. Transferiu a direção de sua Magalu mas continuou na ativa, agora em outro campo de ação. A seu pedido, a Magalu promoveu recentemente um concurso para preenchimento de vagas exclusivo para pessoas negras, assim buscando reduzir a desigualdade expressa na sub-representação dessa maioria racial nas suas dezenas de empresas espalhadas pelo país. Buscou também, com transparência e publicidade, colocar mais negros e mais mulheres em postos de direção nessas empresas. Lembro bem da polêmica que se seguiu, argumentos até mesmo violentos contra essa decisão que deveria pertencer ao mundo dos negócios privados. Isso porque foi uma decisão política, no mais amplo significado da palavra. Não partidária, política.

Luiza Trajano participou, também, da criação de pelo menos dois movimentos, liderando-os: o Mulheres do Brasil, em 2013, que está perto de sua meta de 100 mil mulheres associadas, e em 2021 o Unidos pela Vacina, para agregar setores empresariais para cobrir a imensa lacuna presente no nosso país no enfrentamento da Covid-19, crise sanitária que já chegou à tristíssima estatística de 500 mil mortos. Ações concretas como essa para reduzir a desigualdade que, no seu bojo, reflete e reproduz a violência, batem sempre de frente no muro de uma sociedade dividida. Fere a quem não aceita a mudança, preferindo agir para perpetuar a sociedade da espada.

Um exemplo de ação.

2021-06-21T21:46:15-03:00 21 de junho de 2021|Tags: |

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