Liberdade ou controle: tecnologia e pandemia, economia e violência

*Por Yeda Crusius

CC BY-SA | Foto: upslon.

O exercício da democracia exige interação e liberdade. Cientes disso, criamos este jornal semanal digital, e com ele exercitamos nós, do PSDB Mulher, o fazer política no mundo digital – sempre olhando Hanna Arendt e O Que é Política. Nesta edição, completamos um ciclo, temos contado com a valiosa cooperação de parceiros pensadores da nossa era política brasileira (ver no nosso site).

Livro Hanna Arendt – O que é política?


Com o advento das redes sociais disponíveis na palma da mão e com o mundo digital, germinam as sementes da liberdade permitida pela comunicação digital, enquanto se evidencia o enfraquecimento das instituições da ordem internacional do pós-guerra a partir de 1945.


A evidente mudança nos padrões de funcionamento do mundo mostra que as instituições desta ordem internacional “eficiente” até a virada do século não são mais capazes de resolver o mal-estar do XXI.


Muda o mundo do trabalho com a inteligência artificial, o da balança do poder com o crescimento da China, o do dinheiro com o nascimento das criptomoedas e das fintechs, o da inovação com o financiamento das startups que com poucos milhões geram empresas de bilhões. Multiplicam-se as manifestações de rua com ajuda das mídias sociais.


As consequências se acumulam nos “des” de desigualdade, nos “ex” de exclusão, nos “in” de injustiça, no “V’ de violência. Na economia, a gigantesca concentração de riquezas; no mundo do trabalho o desemprego; na educação, a disfuncionalidade das escolas com a evasão dos jovens cooptados pelo mundo fácil do crime organizado. Em casa, a violência se reproduzindo nas suas raízes ancestrais. Explode o feminicídio. Tema desta edição.


As instituições do século XX são percebidas como inúteis e desnecessárias, reprodutoras da desigualdade, da injustiça, da exclusão, da violência. Os partidos políticos acompanham essa falência.


O atual debate sobre “o fim das democracias” lembra-me “o fim da história” de Fukuyama. Muito livro para pouco leitor, incendiou-se o debate com Yuval e as 21 Lições, Damásio e o Erro de Descartes, Castells e a Ruptura, Bauman e os Tempos Líquidos, Dalrymple e os Podres de Mimados, Mounk e o Povo contra a Democracia, Taleb e a Lógica do Cisne Negro, Da Empoli e os Engenheiros do Caos, Snyder na Contramão da Liberdade, enfim, apela-se para o Google para fazer a lista.


O triste advento da pandemia do coronavírus colocou o mundo do avesso desde 2020. Os países liderados por mulheres estão no topo do sucesso no seu enfrentamento, e – que pena – o Brasil, conhecido como o país das vacinas, está no fim da lista dos países que vacinam: mais de 540 mil mortos! Na CPI da Pandemia, com mais mulheres no Senado, o transformador trabalho das valentes senadoras que atuam faz a diferença.


Com a pandemia, o que estava germinando aflorou, tornando visível e urgente o imenso desafio de como conviver no mundo virtual. O PSDB Mulher encara esse desafio e começa novo ciclo, definido no Planejamento Estratégico 2021. Vamos a campo fortalecer a nossa rede estimulando, capacitando, e identificando mulheres dispostas a fazer política. Com elas, conquistar a representatividade que retrata a nossa sociedade: 50/50, também na política. Como o Chile fez ao compor a sua Assembleia Nacional Constituinte 2021. Temos grandes parceiros para isso. Vamos nos dar as mãos fazendo parte da transformação para uma sociedade mais livre e desenvolvida

*Presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB, foi governadora do Rio Grande do Sul, ministra do Planejamento e deputada federal por quatro mandatos.

2021-07-20T16:53:36-03:00 20 de julho de 2021|

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