Evento em Porto Alegre debate participação feminina na política

Participantes do encontro simularam situações como debates e entrevistas para desenvolver técnicas de comunicação Jefferson Bernardes / Agência Preview

Reunidas no Hotel Plaza São Rafael, 112 mulheres aprenderam na prática como ganhar competitividade em um universo dominado por homens

Dispostas a superar os obstáculos à participação feminina na política, 112 mulheres de Estados do Sul e do Sudeste se reuniram nos últimos dois dias, em Porto Alegre, para aprender, na prática, como ser candidatas competitivas em um ambiente historicamente dominado por homens. Com a ajuda de especialistas sem vinculação partidária, o grupo discutiu temas como o atual cenário eleitoral, o impacto da crise de valores nas eleições de 2018 e a influência das fake news na campanha que se avizinha.

Organizado pelo PSDB Mulher e pela Fundação Konrad Adenauer (KAS Brasil), o evento ocorreu no Hotel Plaza São Rafael e contou com a participação de palestrantes com experiência prática e produção acadêmica.

As discussões tiveram como pano de fundo dois fatos marcantes da semana: o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar que pelo menos 30% dos recursos do fundo partidário sejam usados para financiar campanhas de mulheres – até então, o percentual era limitado a no mínimo 5% e no máximo 15%, para atividades que estimulassem a adesão feminina às siglas.

— Queremos que as mulheres façam a diferença e, para isso, elas precisam concorrer. Um exemplo disso é o caso da Marielle. A morte dela repercutiu tanto, porque ela tinha um cargo eletivo. Isso é ter poder. E é isso que temos de buscar, cada vez mais. A decisão do Supremo vai ajudar, porque o fundo partidário, na prática, nunca chegou até nós. Os partidos são machistas, como já dizia a minha amiga Ruth Cardoso (mulher de Fernando Henrique, morta em 2008) — afirmou a presidente nacional do PSDB Mulher, deputada federal Yeda Crusius, que foi a primeira governadora do Rio Grande do Sul.

Ex-governadora Yeda falou sobre sua experiência na política, tradicionalmente dominada por homens Jefferson Bernardes / Divulgação

O fechamento da programação, na tarde de ontem, envolveu uma atividade curiosa: as participantes do evento foram desafiadas a protagonizar um “roleplaying” – espécie de jogo em que os praticantes simulam situações reais e a desempenham diferentes papéis.

Sob a orientação da fonoaudióloga e professora de oratória Laila Wajntraub e da cientista política Patrícia Rangel, especialista em democracia e gênero, elas atuaram em situações difíceis, como um debate e uma discussão com amigas que odeiam política. Funcionou como uma preparação para o que está por vir.

— A sensação é de que as mulheres estão saindo daqui empoderadas, prontas para o embate — concluiu Solange Jurema, ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e secretária nacional de Políticas Públicas para Mulheres no governo Fernando Henrique Cardoso.

Fonte: Jornal Zero Hora
Data: 16/03/2018

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