Em seminário, tucanas aprendem sobre ações que podem impedir o colapso ambiental no mundo pós-pandemia

“Temos visto um grande desequilíbrio ambiental. Essa grande pandemia está causando uma série de impactos. Vocês, no Executivo e Legislativo, são fundamentais para a inclusão dessas pautas em políticas públicas, leis, regulamentações”, afirmou a palestrante, Sophia Picarelli.

PSDB-Mulher Nacional promoveu nesta quarta-feira (26/8), em parceria com a Fundação Konrad Adenauer (KAS) e o Instituto Teotônio Vilela (ITV), o segundo dos quatro painéis virtuais do Seminário Virtual de Capacitação Política: Gênero, Política e o mundo Pós-Pandemia. O seminário tem por objetivo debater sobre os efeitos da pandemia no mundo e auxiliar na capacitação política das mulheres tucanas, que irão se candidatar aos cargos de prefeita ou vereadora nas eleições municipais deste ano.

Intitulado “‘O vírus está no prato’: desequilíbrio ambiental e o mal do século XXI”, o painel foi apresentado pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade Federal de São Paulo (PROCAM-USP) e gerente de Biodiversidade e Mudança do Clima do ICLEI América do Sul, Sophia Picarelli. O ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade é uma rede global, que atua em mais de 100 países, de mais de 1.750 governos locais e regionais comprometida com o desenvolvimento urbano sustentável. O treinamento foi feito pela Plataforma Zoom.

Durante a palestra foram apresentados diversos dados a respeito das mudanças climáticas e como os hábitos de hoje têm afetado o meio ambiente. VEJA AQUI.

Apesar das inscrições serem limitadas, mais de 150 pessoas, entre homens e mulheres, participaram da capacitação. Muitas pré-candidatas, prefeitas e vereadoras em mandato, e lideranças tucanas de todas as regiões do Brasil assistiram ao vivo o evento e puderam fazer perguntas. Apucarana/PR, Serra/ES, Balneário Arroio do Silva/SC, Teresina/PI, Caçu/GO, Palmas/TO, Campos dos Goytacazes/RJ, Ribas do Rio Pardo/MS, Pará de Minas/MG, Laranjal Paulista/SP, Cuiabá/MT, Maceió/AL, Brasília/DF, João Pessoa/PB, Rio Branco/AC, Macapá/AP, dentre tantas outras cidades, se fizeram presente. Quem moderou as perguntas deste painel foi a coordenadora do PSDB-Mulher na região Nordeste, Iraê Lucena.

“Temos visto um grande desequilíbrio ambiental. Essa grande pandemia está causando uma série de impactos. Vocês, no Executivo e Legislativo, são fundamentais para a inclusão dessas pautas em políticas públicas, leis, regulamentações”, afirmou. Sophia Picarelli dividiu sua palestra em cinco pontos principais: desafios globais e impactos locais; mudança de clima; perda da biodiversidade, políticas públicas e as transformações necessárias; e uma enquete sobre os temas apresentados.

17 ODS das Nações Unidas

A palestrante destacou os desafios globais e impactos locais baseando-se nos 17 ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Em 2015, as Nações Unidas definiram os ODS como parte de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável que busca concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Junto as 169 metas da ONU, os ODS estimularão essas ações para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta.

O vírus Corona

Sophia explicou cientificamente e historicamente como o vírus corona acabou chegando ao covid-19 e como os vírus emergentes se manifestam nos animais. A palestrante relembrou os casos como HIV, Ebola, Zika, até mencionar o coronavírus. “O vírus já está aí vivendo num ecossistema, o que acontece é que, por algum fator, esses vírus emergem. Há alguns exemplos da família corona que já haviam sendo identificados desde o século passado. O primeiro hospedeiro, que normalmente é um animal silvestre, não tem sintomas. A partir do momento que o vírus encontra um corpo que lhe permite agir, como o corpo humano, ele se propaga”.

Segundo ela, a lógica do controle de um vírus se torna difícil quando a sua propagação é acelerada pelo ambiente e pelas condições de clima e higiene. “Dependendo das condições de diagnótisco, orientações de prevenção, às vezes um pequeno surto consegue ser controlado, uma epidemia pode ser local, restrita, mas a pandemia acontece numa ocorrência global, onde, no caso da covid-19, o próprio homem é o transmissor do vírus. Esse vírus se adequa a ambientes, a situações e a condições muito rápido por não termos uma vacina. Como essa lógica de consumo, de uso da terra, de desmatamento e mudança do clima que vivenciamos, começamos a criar ambientes mais favoráveis para o vírus chegar até nós”, destacou.

Mitigar ou se adaptar?

Sophia apresentou dados sobre a mudança de clima, especialmente o efeito estufa. “Houve um aumento muito significativo, que interfere diretamente no padrão das chuvas, dos eventos marítimos. Eventos extremos são futuras ameaças que precisamos enfrentar. Se continuarmos seguindo tudo do jeito que a gente faz hoje, haverá aumento da temperatura global, de 1,5 ou 2 graus, e as mudanças serão muito severas. Talvez viveremos impactos muito maiores que uma pandemia. Um mundo bem mais quente e uma situação bem mais crítica a ser enfrentada”, disse.

Além do efeito estufa e da mudança do clima, lixões e resíduos sólidos, desmatamento, falta de saneamento básico, insegurança alimentar, poluição urbana, elevação nos níveis marítimos, perda da biodiversidade e todas as consequências do desenfreado processo de deterioração do planeta pela humanidade foram destaques na palestra de Sophia, que ponderou dois caminhos para o futuro: a mitigação, evitando a mudança climática; ou a adaptação, respondendo a essas mudanças.

“Como iremos construir os prédios, as ruas? Como iremos capacitar as pessoas, especialmente as de baixa renda que estão mais expostas? Se acontecem um evento extremo desses, como as mulheres irão se virar? Como se comportar quando isso acontecer? É um trabalho da defesa civil, mas que deve seguir uma linha de preparação. Precisamos estar mais conscientes de que estamos expostos a tudo isso”, questionou.

De acordo com a palestrante, os números não são muito animadores. “A mudança do uso da terra e de áreas marinhas, a contaminação, e espécies exóticas invasoras impulsionam diretamente a perda e a piora da situação da natureza. Hoje temos quase 47% de sistemas naturais alterados e impactados pelo uso da terra e exploração direta. São 25% de espécies com riscos de extinção. E vários outros números nem um pouco animadores”.

Transformações necessárias

A palestrante destacou que o desenvolvimento resiliente é uma transformação necessária. Energias renováveis, como a solar e a eólica, uma mobilidade ativa, construções sustentáveis, a gestão de recursos hídricos, o reuso e recaptação da água, a proteção da floresta Amazônia e o aumento de áreas verdes são medidas fundamentais para reverter o quadro de deterioração do planeta.

Explica Sophia que, durante a pandemia, os acessos aos parques foram considerados serviços essenciais. “Os governos consideraram forma mínimo de manter a saúde. Mas infelizmente países como Brasil e Índia restringiram os acessos, justamente pela falta de locais que evitassem a aglomeração”. Para ela, essa é uma questão muito importante e interessante a ser analisada em políticas públicas pelas lideranças tucanas em mandato e pelas futuras pré-candidatas, como bandeira eleitoral de campanha.

Durante o evento, a ex-deputada estadual Larissa Rosado e atual presidente do PSDB-Mulher no Rio Grande do Norte fez um questionamento a respeito: “quais propostas mais importantes para uma candidata a prefeita colocar no seu programa de governo quando o ponto é gestão ambiental?”. Sophia respondeu reiterando a importância de aumentar áreas verdes nas cidades, especialmente construindo mais praças públicas, com maior proximidade das residências.

“Quanto tempo uma pessoa caminhando chegaria a uma praça? Em uma caminhada de 10 a 15 minutos é importante ter uma área verde perto da residência dessa pessoa. Não é preciso criar um mega parque. Mas um parque acessível, uma horta comunitária, um espaço verde de uma escola pública. É preciso fazer um diagnóstico da sua cidade. É difícil, mas tendo a achar que, com essa pandemia, o isolamento, a falta do verde se tornou algo muito mais claro, tangível, que precisamos disso para estarmos bem, física e mentalmente. Começamos a dar valor para o menos, e o menos é o essencial, as coisas básicas”, afirmou.

Sophia finalizou sua palestra reiterando que a humanidade precisa fortalecer a resiliência e se preparar para os impactos e choques extremos. “Nesse momento, muita coisa é urgente: segurança, saúde. Isso nos dá uma oportunidade de fazer uma transição que seja mais justa, que olhe para a inclusão social, porém garantindo o equilíbrio ecológico. A gente já sabe que a gente precisa mudar. Precisamos fomentar cada vez mais espaços de colaboração e co-criação. Precisamos elencar essas oportunidades, com a clareza do que a gente quer, e trabalhar duro para chegar no futuro que queremos”.

Ao final do painel, a presidente Nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius, reiterou a importância do seminário, e também dos curso de capacitação, especialmente para lidar com os desafios que a pandemia trouxe com vistas à gestão pública e ao legislativo municipal. “Todas as epidemias e pandemias nos levam a priorizar a questão da biodiversidade. Essa é uma bandeira fundamental que também está na cartilha do PSDB-Mulher”. Yeda Crusius relembrou que está a disposição de qualquer pessoa interessada, de forma gratuita e exclusiva, esta cartilha “Bandeiras Eleitorais 2020 – Mulher na Cidade”, o curso de  capacitação política e muito mais no site da Plataforma Digital PSDB-Mulher 2020, através do link www.plataformapsdbmulher2020.com.br.

Fonte: Do site do PSDB-Mulher Nacional
Data da Notícia: 26/08/2020

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