Em formato gradual começam as análises para a retomada do desenvolvimento

Como a Economista, Ex-Ministra do Planejamento e Ex-Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, o Ex-Secretário Executivo da Secretaria de Estado da Fazenda, Milton Luís de Melo Santos, o Presidente do Desenvolve SP – O Banco do Empreendedor – Nelson de Sousa, e o Economista e Ex-Presidente do BNDES, Andrea Calabi.

Calabi, como coordenador do painel, comentou a relevância de se ter inovação, tecnologia e melhorar a produtividade do setor público, quer seja no campo da tributação, na qualidade de gastos.

“Vivemos uma situação muito difícil. Vemos uma forte desvalorização cambial, uma alta de preços de alimentos e um quadro macroeconômico difícil. As expectativas, em geral, sobre a economia, muitas vezes ajudam a ancorar a inflação. A ancora está em uma política fiscal responsável. O teto de gastos é uma ancora importante”, ressaltou.

O economista também abordou a indispensabilidade de enxergar todas as esferas (federal, estadual e municipal). “Temos enormes desafios na articulação entre instâncias da federação. Essa interface é fundamental para concatenar os instrumentos disponíveis, para o crescimento e mudança social”.

Já Yeda Crusius explanou sobre a necessidade de se equilibrar as esferas públicas e privadas. “Estamos vivendo uma pandemia que deixa muito explicita a mudança geracional no país. Éramos um país muito jovem e vivíamos um mundo completamente diferente em seu tecido social do que hoje. Vivíamos, por exemplo, a hiperinflação, que fazia com que as relações e a tomada de decisões fosse baseada em evitar que o dinheiro derretesse. Isso passou porque um ciclo de 30 anos aconteceu, e foi quando, a partir de uma nova constituição, redesenhamos as regras de convívio nacional, com equilíbrio entre o judiciário, o executivo e o legislativo, e com uma ação muito forte tentando incluir na tomada de decisões o setor privado, que é o exercício deste 3º CONEXIDADES”.

Yeda também reforçou a importância da tecnologia neste momento: “A retomada do desenvolvimento será gradual, pois não há outra forma. O mundo não é mais o mesmo do que era antes, porque entrou um novo ator nas relações, que é a tecnologia. Agora é fundamental capacitar uma sociedade que ainda é analfabeta tecnológica. E o Estado também não pode ser mais o mesmo; temos que mudar a forma de tributar e de gastar, assim como o pacto federativo. Temos que mudar o uso de tecnologia para termos segurança pública, educação e saúde. Mas, se não tivermos infraestrutura e proteção ao meio ambiente, tudo isso será um desgaste sem grandes resultados. Entre os passos está uma solução política para uma crise do Brasil que se aprofunda”.

A economia das empresas e cidades também foi pauta neste painel. Em sua fala, Nelson de Sousa explicitou a crise de liquidez que as micro, pequenas e médias empresas estão enfrentando. “Nas empresas, o auxílio emergencial é o capital de giro. Estamos vivendo uma crise diferente e a economia depende da solução da saúde para voltar a crescer. Sabemos que voltará mais rápido quem se organizou melhor. A retomada será por setores; em tempos e movimentos diferentes. Para apoiar tanto essas empresas quanto as cidades, o Desenvolve SP – O Banco do Empreendedor, desenvolveu o Plano São Paulo, dividido em três fases: resposta, recuperação e sustentação”, afirmou o Presidente.

Segundo dados apresentados pela organização, a primeira fase incluiu ações como: flexibilização de garantias, taxa de juros reduzida, standstill, aumento de prazo e de carência, além de R$475 milhões de reais de recursos próprios.

“Com isso, a procura foi fantástica. O número de solicitações dos primeiros três meses de pandemia superou a soma total de 11 anos de operações da empresa. E, para as próximas fases, lançaremos um programa de monetização de ativos dos municípios por meio de fundos de investimentos”, completou, Nelson de Souza, que estimula o desenvolvimento por meio de operações com juros especiais a empresas e poder público.

Finalizando o programa sobre Economia, o Ex-Secretário Executivo da Secretaria de Estado da Fazenda, Milton Luís de Melo Santos discorreu sobre o momento desafiador para a economia do país.

“Estamos vivendo um momento em que se forma a tempestade perfeita: a dívida bruta se aproximando de 100% do PIB, o nível de desemprego alcançando a taxa de 14%, previsão de retração do PIB em torno de 5,5%, déficit das contas públicas, reformas andando a passos de tartaruga, e ainda temos discussões sobre vacinas, impactos da pandemia, entre outros assuntos. Mas, apesar de todo esse quadro difícil, a economia real tem mostrado um desempenho fantástico; o Brasil fechou o segundo quadrimestre de 2020 com mais de 19 milhões de empresas, sendo que mais de 90% são MEIS”.

Segundo Santos, os dados do mapa de empresas do Ministério da Economia, nesse período, houve um saldo de 772 mil novas empresas. “Houve um aumento substancial de novas empresas. Isso se deu porque, os brasileiros jovens estão descobrindo que o conceito de trabalho está mudando; as pessoas estão buscando empreender; aliado às novas tecnologias que vem sendo desenvolvidas e aplicadas em todos os segmentos, isso tem permitido que nosso ambiente da economia tenha apresentado um desempenho extraordinário”, finalizou.

Fonte: Jornal do Interior, Edição n.º 164, da UVESP
Data da Publicação: Novembro de 2020

2021-01-03T19:20:43-02:00 16 de novembro de 2020|Tags: , , , |

Deixe um Comentário