Sem categoria

A DISTANCIA ENTRE INTENÇÃO E GESTO

 

“Se trago as mãos distantes do meu peito

 É que há distância entre intenção e gesto”

 

Dirão os de sempre: mas como uma tucana do PSDB ousa citar Chico e Ruy, declaradamente petistas de Lula e autocolocados na esquerda para a qual os fins justificam os meios?

Essa pode ser a ilustração quase poética da nossa sociedade dividida entre extremos, tudo ideologizando, separando-nos irmãos entre “eles” e “nós”, na cultura do cancelamento que antecedeu à do isolamento concreto pelo vírus em 2020, plantando sementes de ódio que ali adiante florescerão com suas lindas flores envenenadas. Belas, mas matam.

A distância entre intenção e gesto não é inevitável. Embora estando em margens opostas, é possível construir ponte, atravessar de barco, para o necessário abraço.

 

Faço agora outras citações, a partir de informações do Google. Não conheço os autores, mas eles, como eu, escreveram motivados a entender o mundo que analisam, colocando no título de seus trabalhos algo sobre a intenção e o gesto, que nos foi trazida como arte em música e verso. Disponibilizada pelo artista,não é mais proprietário da criação. Não é para “eles” nem para “nós”.

 

Entre a intenção e o gesto: desafios para a educação durante a pandemia

 

Victor Barcelos Ferreira*e Bruno Lazzarotti Diniz Costa

 

“Que atire a primeira pedra aquele que não foi nem um pouco afetado por esta pandemia. Aquele que não está isolado, e, ao acordar hoje, sua rotina seja a mesma – ou pouco diferente, daquela praticada em qualquer dia útil do mês de janeiro. Do Oiapoque ao Chuí, da Avenida Afonso Pena ao aglomerado da Serra, do boteco da esquina aos escritórios de qualquer conglomerado financeiro na Faria Lima. É difícil achar alguém que não está se esfacelando para tentar se adaptar à nova rotina, com isolamento domiciliar. O coronavírus pode ser considerado democrático por não escolher a quem atinge, mas certamente impacta de distintas formas às diferentes realidades sociais que prevalecem no Brasil.”

Cito também Mildred Negreiros Bezerra de Melo em A Intenção e o Gesto: Ações Gerenciais de Enfermeiros em Espaços Hospitalares, dissertação de Mestrado apresentada em Natal em 2003. Nela Mildred cita Weber e a burocracia como poder (racional) na organização do trabalho (social). Aplicada a enfermeiros, faz uma pesquisa muito interessante, que mostra como planejar é importante. E complicado nas ações do cotidiano segui-lo.

Hoje tenho urgência em publicar esse artigo, porque ontem aconteceu um evento marcante para quem, como eu, busca na política um modo de reduzir uma triste característica da nossa sociedade, que é a desigualdade, e suas consequências sendo a violência uma delas. Nesta crônica tomaria um tempo que não tenho registrar com os cuidados editoriais de sempre o que quero comunicar. Vou separar o evento por partes.

  1. Pandemia (2020) e cuidado: geraram muita emoção e foram mundialmente transmitidos até como meme os vídeos que correram o mundo com os agradecimentos aos “agentes de saúde”, percebido quantos se salvaram com os cuidados mas quantos morreram da doença de que cuidavam (covid-19).
  2. Conhecidas como “profissão de mulher” pelo cuidado que exigem, professoras e enfermeiras são a maior proporção nessas profissões, que ganharam imensa relevância quando todos temos que nos adaptar a educar e trabalhar em casa, por processos novos de interação, enquanto nos hospitais os agentes de saúde tiveram que se adaptar à triste realidade do novo vírus continuando a trabalhar. Como ensinar e aprender pelo meio digital? Não tínhamos expertise nem ferramentas para imediatamente substituir a sala de aula por telas de celulares e computadores, e EAD - Educação à Distância em período de isolamento social, foi sendo feito na marra, mas nem todos tinham acesso. Ampliou-se a desigualdade na educação.
  3. Já os hospitais recebiam os doentes, que não podem se tratar em casa. A morte de médicos e enfermeiras doeu, tanto quanto a dos pacientes à espera de leito inexistente nas UTIs, e morreram cuidando daqueles que nos hospitais foram internados pelas consequências de um novo vírus. Como o EBOLA, ainda não se conhecia a natureza da covid-19 mas, era preciso ir vivenciando com os cuidados conhecidos para que se evitasse o rápido contágio. Até que a ciência completasse sua missão e desenvolvesse a vacina.
  4. Urgia mudar o Planejamento (sem o qual a enfermeira se sente perdida), a supervisão (o tempo gasto em orientar para que o uso das ferramentas gerenciais melhore ao final a eficiência e a eficácia do próprio trabalho) e a avaliação (o que tem que ser mudado com a experiência vivida).
  5. Fora dos hospitais o mesmo com o governar sob pandemia: houve quem agisse, quem buscasse poupar vidas, e quem negasse a realidade de tantas mortes causadas pelo novo vírus. Então se fez necessária a aproximação entre intenção (salvar vidas) e gesto (buscar a vacina), num novo contexto de cooperação internacional. Ao perceber o gigantismo da tarefa necessária, João Dória enfrentou o desafio, e partiu para fabricar pelo Butantan a vacina, em parceria com a China, produtora tanto do vírus quanto da vacina – uma delas, em rápido desenvolvimento graças ao tantos laboratórios que a buscavam.
  6. O isolamento é algo cruel para a humanidade. Mas ele era exigido para se salvar vidas frente às mortes causadas por um vírus que ainda não se conhecia, mas que por seus ancestrais (gripe, H1N1) exigia a criação de uma nova vacina. A previsão era que em 3 anos se teria uma. Não precisou tanto. A cooperação internacional funcionou para a ciência e para a fabricação e distribuição. Com a vacina, despencaram as estatísticas de internação e morte. Essa é a realidade, mais uma vez, não há como negá-la. O processo ainda não está terminado, porque o vírus é inteligente e muta para sobreviver. Sem a vacina, em lugar dos mais de 5 milhões de mortos no mundo todo desde 2020, e mais de 600 mil no Brasil, quantos mortos se teria? Há quem se vire de costas com um “não fui eu”. Mas fomos todos nós sim. Com o desequilíbrio ambiental o vírus está no prato: “somos o que comemos e o ar que respiramos”
  7. Na pandemia os velhos extremos se digladiam. Ciência ou kit-covid? Abrir ou fechar? Governantes de todo o mundo foram tomando suas decisões, que afetavam a vida de todos. Tinham que agir. Escancarou-se a cultura do ódio pelas redes sociais, que se fez presente como nunca durante o contágio mundial.
  8. Os índices do Brasil em setores como segurança, educação e desenvolvimento nos envergonham. Não há mais tempo de adiar a ação para romper com o atraso, porque ele não é necessário. Há alternativas. Então há que planejar. O novo planejamento para o Brasil começa com a escolha anunciada ontem por João Dória, o vencedor das prévias do PSDB ontem, 15 de dezembro, da “equipe econômica” 50/50 que vai elaborar o seu Plano de Governo para as eleições gerais de 2022. Repete-se a eterna pergunta de porque mulheres. Para quem o conhece, não é só para dizer que está honrando o compromisso presente na nossa Carta Compromisso do PSDB Mulher para 2022, assinada em 19 de setembro à frente de 4 mil mulheres QUATRO MIL MULHERES em SP. Não é uma ação de marketing. É gestão na prática, fora do discurso, encurtando a distância entre intenção e gesto. É para mudar, pois o Brasil tem jeito. O plano será elaborado por uma equipe de 6 pessoas, sendo 3 homens e 3 mulheres. Sinto muito para quem duvida, mas eu não: para reduzir a distância entre intenção (mudar o país ara melhor) e o gesto (iguais na população, iguais na condução do plano, 50/50).
  9. Quem vai à frente não é compreendido no seu tempo, porque na sua ação cotidiana, no seu processo de decisão, muda as coisas do que é hoje para os que ganham com o status quo do “o que está aí me serve, nada de mudar”. Burocracia lembra inflexibilidade, mas gestão é flexibilidade, adaptação, mudança, resultados. Governar como João Dória faz é criar o novo, é ser flexível, como no caso da vacina, com seu resultado em vidas salvas. Só no futuro se terá consciência plena do que foi trazer a vacina. E muito depois, se saberá sobre ter mudado o Brasil através da formação de uma equipe 50/50. Se tiver a chance de fazê-lo.
  • Não tenho porque duvidar: quem buscou a vacina busca com o 50/50 mudar o Brasil. Não apenas para torná-lo mais eficiente (gerente), mas para fazê-lo menos desigual (gestão). Mais humano. Obrigada João Dória. O João da Bia. Com esse gesto, dá veracidade à sua intenção de governar o Brasil para mudá-lo para melhor, tirando-o dessa vereda de desumanização em que se meteu. Me emociona como me emocionou Itamar Franco (tuitei, vão lá). Esta terra não é o inevitável da música que “cumprirá seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal” colonizador e escravagista. Porque não é esse o nosso ideal.

Feliz Aniversário hoje, João Dória!

2021-12-16T18:38:59-02:00 16 de dezembro de 2021|

Condecorações e Agradecimentos

 

Agradecimento Amigo do GHC:

Carta de Agradecimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul: