A Mágica está em Nós

*Por Yeda Crusius

No mês do meu aniversário descubro, graças aos mergulhos que tenho dado através do mundo dos sonhos, que os (poucos) ataques de pânico que tive no início dos anos 1990 tem a ver com comunicação. A comunicação em outra língua, pois os tive em viagens a outros países. Quem sabe o longo (infinito enquanto durou) período de isolamento forçado pela pandemia desde 2020 tenha ajudado, por comparação com toda uma vida em movimento, em mobilidade, em interação.

Comunicação é uma das duas “marcas” da concentração dos astros no meu horóscopo, nos seus 12 campos. A outra é Finanças, ou Dinheiro. Isso me disse a intérprete da astrologia à qual Percival me levou nos anos 1970 ou 1980 em São Paulo. Eu já era economista e comunicadora, apesar de essa intérprete não me conhecer. Eu ainda não era famosa…

Descubro também que a minha falta de apetite para o mundo digital dos jogos eletrônicos desde sempre tem a ver com uma linguagem que meus olhos não acompanham. “Mãe, não tenta entender, usa!” me disse o César quando perguntava sobre como funcionavam as ferramentas de seu trabalho como engenheiro elétrico no Vale do Silício. Só que não, não é assim que funciono: tudo tento entender.

As descobertas da hora têm a ver com o fato de que agora tenho tempo para mergulhar nessas descobertas, cada dia, por ter feito o tempo para isso, por ter me desconectado no dia-a-dia da política à qual me dediquei desde aquele início dos anos 1990 – os das poucas crises de pânico que se seguiram a um assalto então sofrido na mira de revólveres à luz do dia.

Desconectar, tirar da tomada, é metáfora que tem a ver com o rompimento com a fonte de energia (analógica) de que sou feita, atitude fruto da recusa definitiva em aceitar a crueldade cometida pelos “cabeças-pretas” no pós-prévias do meu partido (em extinção, como tantos outros).

Tirei da tomada, tranquilamente, aceitando que a política não é mais a mesma daquela que marcou a partir dos anos 1990 a grande transformação de que fizemos parte ativa de um mundo em direção a uma era de paz, de desenvolvimento, de democracia, de igualdade, na rede de conexão formada pelas instituições mundiais. Essas que, criadas depois de II Grande Guerra (1939/1945), foram plenamente utilizadas depois da queda do Muro do Muro em 1989, na primeira infância do PSDB. Disso participamos ativamente, na era da construção da União Europeia, da Terceira Via (de Tatcher para Blair), da entrada para o novo milênio.

 É, o mundo mudou. A pandemia escancarou essas mudanças de modo forçado, pois fechou fronteiras, forçou o “fique em casa”, gerou enterros coletivos de caixões fechados. Então as instituições que envelheceram devem ser também enterradas dignamente – com direito a velório equivalente à grandiosidade de seus feitos. Falo da instituição Partido Político.

O meu cumpriu sua missão de transformar o país. Transformado está. Agora, é enfrentar o novo ciclo, o da Era da Internet, a Era da Inteligência Artificial. Para mim, a consciência dessa realidade destampou a panela em pressão que vinha sentindo, e destampou na virada do mês de julho de 2022.

 Claro que não é um fato só. A sincronicidade das coisas é que leva a esse destampar. Tenho me dedicado a duas principais experiências pessoais desde a pandemia de 2020.

Uma é usufruir as maravilhas do mundo digital, seja no meu PC – lendo e escrevendo com o auxílio do YouTube e do Google, construindo em dedicação integral da Plataforma Digital PSDB Mulher 2020, ou seja, escolhendo a cada noite uma série, um documentário, ou um filme, nos tantos streamings da vida.

A outra é bordar e pintar a partir dos esboços que crio. Já deu caldo… Uma parede inteira de quadros e tapetes completados. Muitas cores, formas, significados.

 E em amadurecimento junino descubro porque não gravo na memória o que não entendo seja das letras das músicas, seja dos diálogos dos filmes que vi na vida. Apesar de conhecer a língua falada e cantada, não gravava. Como descobri? O que destampou?

Escolhi nesta virada do mês o novo tema para um novo quadro e um novo tapete: a charge do Piratini feita pelo Marco Aurélio em 31 de outubro de 2006, com o N em sapato de salto vermelho (ilustração abaixo).

Segui a lição do César de fazer só um objeto de cada vez, em lugar da complicação que tive para completar o último quadro, eu observando pelos janelões da minha sala – o interior, a paisagem completa e complexa que via no meu quintal – o exterior. O N vermelho da charge me lembrou dos sapatinhos vermelhos da Dorothy e seu Totó (O Mágico de Oz, 1939). Fui ver o filme de novo. Não lembrava muito bem da mensagem, do significado. Só lembrava da sequência bela de imagens e sons.

Com a ajuda do Google, fui até a letra do Over the Rainbow. Pah! Destampou! Sinapse imediata! Daí para Yellow Brick Road, com Elton John, foi um passo – nunca havia prestado atenção à letra, só à melodia, aos sons. O mesmo fiz com Over the Rainbow, com Judy Garland – o que me permitiu perceber o sentido do filme, a relação entre imagens e melodias. O mesmo fiz para todas as músicas de jazz cantadas pelas maravilhosas divas do jazz americano. Que imenso prazer!

Seguindo o exercício, segui o inglês do Peak Blinders, do Castle, dos documentários do BP, de tudo no que agora presto atenção. Com imenso prazer. Gravando na memória o que dela me escapava. Tudo com significado. Com a ajuda do Crusius, cheguei ao significado maior: o Oz do mágico é o Us! Quando os parceiros de jornada da Dorothy, além do Totó, foram até o castelo de esmeralda buscar o coração (Espantalho), o cérebro (Homem de Lata) e a coragem (Leão), descobriram: tudo está em nós.

Quem sabe agora tenha acabado a minha rejeição aos termos em inglês em que vem tudo da Era da Internet (BlueTooth??? Compliance???), e eu passe a navegar tranquilamente nos app’s da vida. Eureka. Não sem tempo.

Sem preconceitos de cor/torcida/bandeira partidária, vou encomendar um pote de tinta acrílica vermelho-rubi e pintar um novo quadro, e bordar um novo tapete com os novelos de lã vermelha. O esboço já tenho.

Depois, vou começar a escrever minha trilogia. Enfim.

Bem-vindo 2022, bem-vindo julho dos 78. Bem em tempo.

2022-07-05T15:17:47-03:00 5 de julho de 2022|Tags: , , |

Deixe um Comentário