Violência: prevenir antes de combater

Mais de 61 mil assassinatos foram registrados no Brasil em 2016 – o equivalente a sete homicídios por dia. Essa triste estatística não deve mudar nos números de 2017. Trata-se de uma barbárie que afeta todo o país, com índices ainda piores entre a população mais pobre e jovens negros. A insegurança tornou-se rotina, impondo o medo ao nosso dia a dia, destruindo famílias e interrompendo futuros.

Enfrentar esse quadro deve ser uma prioridade do país. Hoje, temos muitas ações em desenvolvimento por diversos órgãos, que atuam isoladamente em nível nacional, estadual e municipal. No entanto, precisamos somar essas forças em um programa comum, trabalhando-as de forma articulada, com foco na prevenção.

Esse é o objetivo do Plano Nacional de Prevenção à Violência, que apresentei recentemente na Câmara Federal. O projeto prevê ações ao longo de uma década, com diretrizes elaboradas a partir de um amplo debate no Congresso Nacional – que resultará em ações estratégicas, metas, prioridades e adoção de indicadores sobre o tema.

Outra ação que desenvolvemos foi a Frente Parlamentar Mista de Prevenção à Violência, iniciativa que reúne mais de 250 deputados e senadores de todas as correntes partidárias, além de uma ampla rede de agentes sociais. Vamos percorrer o Brasil conhecendo e discutindo caminhos para o futuro, a partir de exemplos e experiências positivas.

Resultados práticos só ocorrerão com a união de esforços em todas as áreas. Aqui no Estado, mostramos que isso era possível com o Programa de Prevenção da Violência (PPV), realizado em nosso governo. Por meio de ações integradas, com reforço na segurança, investimento em saúde, educação e assistência social, reduzimos as taxas de criminalidade em 50 dos bairros mais violentos do Rio Grande do Sul. Entre 2007 e 2010, o número de latrocínios caiu quase 40%, enquanto o de roubo de veículos teve queda de cerca de 30%.

Antes mesmo de ser combatida, a epidemia da violência precisa ser prevenida. Todos os setores e movimentos da sociedade devem estar envolvidos nesse trabalho. Agindo de forma estratégica e coordenada, poderemos vislumbrar o fim desta rotina de medo, com o início de uma cultura de paz.

* Presidente Nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius é economista e deputada federal pelo PSDB-RS em seu quarto mandato. Já ocupou os cargos de Ministra do Planejamento e Governadora do Rio Grande do Sul.

Data do Artigo: 22/12/17

2018-01-23T11:11:51+00:00 22 de dezembro de 2017|Tags: , , , , , , |

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