Uma vida dedicada à política

Crédito da foto: George Gianni

A boa política é a bússola da minha vida. Praticada dia a dia há três décadas. Durante o período da Constituinte, em 1988, criamos um partido que mudaria os rumos do Brasil. Eis a razão da existência do PSDB. Nascemos da sensatez de professores, intelectuais, inquietos e desapontados pela forma irresponsável com que a política nacional era conduzida. Hoje, percebo-me diante do mesmo espírito e cenário: urge a necessidade de reformarmos o país para o resgate da dignidade do brasileiro.

Como economista, há tempos estudo teorias sobre a ordem dos ciclos. Condição não somente aplicada à economia, mas a própria evolução humana que se transforma através deles. O fim de uma etapa cria condições e oportunidades para o raiar de uma próxima fase. A minha trajetória é exemplo. Em 1992, lembro bem, deixava de ser professora universitária e comentarista de TV para mergulhar de cabeça na política. E nunca me arrependi disso.

“Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, para fazer germinar novamente a esperança” – era esse o lema tucano desde a sua fundação. Me senti plenamente envolvida com a proposta. Os ideais do partido comungavam com os meus valores.

Depois do impeachment de Collor, era preciso assegurar a governabilidade de Itamar Franco. E ele me fez um convite: ser ministra de Planejamento e Orçamento, em 1993. Aceitei sob o compromisso de construir um plano de combate à inflação. Essa era a pauta da época, como hoje é a segurança. Depois, FHC assumiu a Fazenda e nascia o Plano Real. Ali, renascia o Brasil.

Foram três mandatos consecutivos como deputada federal. Nunca me calei. Sempre enfrentei desafios, comprei brigas em detrimento do bem coletivo. Foram temas caros, porém necessários para garantia de um futuro sustentável. Decidi ser candidata ao governo gaúcho. Cheguei na frente no primeiro turno e venci Olívio Dutra no segundo, com 51,5% dos votos. Fizemos história: fui eleita a primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul.

Foi uma gestão difícil, mas vencemos. Encaramos com coragem os problemas de frente e depois de 38 anos colocamos as contas em dia. Reequipamos toda a polícia, obras históricas de infraestrutura foram entregues, o RS figurava no mapa dos mais desenvolvidos do Brasil.

Quando retornei à Brasília em 2016, vi o PSDB rachado ao meio. Sem unidade e sem paz – não conseguimos chegar ao Planalto e Jair Bolsonaro foi eleito. Ele falou a língua das pessoas. Os votos de antipetismo foram vitoriosos. Fim de ciclo, portanto, para o PT. Com ele, o de outras legendas tradicionais, como o PSDB. É necessário aprender na dor e com serenidade enfrentar a reconstrução.

A política sabe que somos um partido necessário para o amadurecimento social. Celebro hoje a vitória de Eduardo Leite, convicta de que seguirá nossos princípios de trabalho, honestidade e resultado. As sementes da recuperação estão na recessão, e vice versa. Eis um novo ciclo para a política, para o Rio Grande e para o Brasil. A mudança está feita. Boto fé no futuro e nas pessoas. O amanhã dirá.

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher, deputada federal no quarto mandato pelo Rio Grande do Sul, ex-governadora e ex-ministra do Planejamento.

Data do Artigo: 19/11/2018

2018-11-29T17:54:09+00:00 19 de novembro de 2018|Tags: , , , , |

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