Um novo painel de debates

Fizemos mais um Encontro em São Paulo do dia 31 de outubro, no Hotel Mercure de Pinheiros, que tem um jardim muito agradável. Mais uma reunião do Foro de São Paulo do Bem, dizem elas. Gravamos as falas da nossa Conversa de Jardim, com algumas que a foto mostra, quando decidimos apresentar por eixos a nossa proposta de políticas públicas para a próxima década.

Na tarde anterior gravamos um piloto para inaugurar um novo produto do nosso canal de YouTube, o Painel PSDB Brasileiras, canal que vai apresentar debates sobre os temas do dia. Nestes dois primeiros, com ministras dos tempos transformadores dos anos 1990, discutimos o Brasil de hoje e seus desafios, na oportunidade em que preparamos posicionamentos sobre 17 temas sobre os quais vamos sugerir votos para o Congresso Partidário do PSDB de 7 dezembro de 2019.

A foto da gravação do Painel PSDB Brasileiras mostra que estivemos Wanda Engel (Assistência Social), Aspásia Camargo (Meio Ambiente), Solange Jurema (Mulher) e eu (Planejamento e Orçamento). Só faltou Maria Helena Guimarães, que estava em viagem. Afinal, concordamos todos que Educação, ministério que ela compôs com Paulo Renato – de saudosíssima memória, e depois como Ministra, é a base de todas as transformações que desejamos para a construção de um país mais justo, menos desigual, menos violento, mais desenvolvido e inclusivo, na nossa visão de um futuro melhor.

A jornalista âncora foi Adriana Vasconcelos, e nossa “diretora” foi Luzia Coppi Mathias, advogada eleita prefeita de Camboriú para dois mandatos, no início deste século XXI. Já temos site, já usamos as redes, mas o debate aberto e participativo é fundamental para as mulheres que fazem política de modo democrático. O Painel, mais a Revista que vamos elaborar para o congresso partidário, serão nossos novos produtos, frutos de uma era em que comunicação é o canal de agregação e de avanços que usufrui da – e garante a – liberdade republicana que defendemos. Claro, como tudo é moeda de duas faces, é também o modo pelo qual circulam tentativas de retrocesso também, vide as fake news.

Somos mulheres que atuam na esfera pública, e nesta, na política, tão desprestigiada nos tempos que correm. Mas não há nada para substituir a política como processo de tomada de posições para os que vivem em sociedade, na res publica.

Em 2016, nas eleições municipais, deu a moda de muitos candidatos, e candidatas, afirmarem “não sou político”, num evidente engodo. Se não fossem, não teriam se inscrito em partidos políticos, nem se candidatado para disputar o voto dos eleitores, com todas as facilidades das regras eleitorais e partidárias.

Muitos desses pseudo incréus se elegeram. Afinal, eram os tempos das mega manifestações de rua, nas quais o “não me representa” e o “chega de corrupção” dominaram o mar de cartazes levados pelos participantes. Para evidenciar o contraste entre o dito e o feito, muitos jovens que se agarraram nesses cartazes, se elegeram. Muitos desses fizeram e fazem a velha política de conquistar votos de eleitores ansiosos por mudanças, e depois de eleitos passam a trocar com os vereadores o seu voto por favores públicos.

Nas eleições gerais de 2018 ampliaram-se os discursos de candidatos que buscavam agradar ao “novo” difuso com o “estou neste partido, mas não acredito em partidos políticos”, “eu sou a nova política”, conquistando votos dos que votam em pessoas, e não em programas ou partidos políticos. Caso exemplar é o do PSL, por exemplo, desconhecido e engordado pela liderança do candidato Bolsonaro. Bolsonaro já pulou de partido em partido na sua vida de político eleito em muitos mandatos para a Câmara Federal, e na sua esteira já foram eleitos três filhos para distintos cargos parlamentares. Como resultado desse discurso, e nessa linha, se elegeram nessa esteira. Governadores, deputados, senadores. E é o que se vê.

Nesses tempos bicudos, por quê realizar um congresso partidário que busca perguntar a seus 1,4 milhão de filiados como vota cada um em temas polêmicos? Por exemplo, se apoia ou não a tese dos 50/50, a paridade em postos de comando ou em composição de colegiados, política interna que muitas empresas e instituições diversas, que se guiam por valores e evidências, já vêm praticando. Vamos ver.

Nós, do PSDB Mulher, somos uma instituição do Poder Público, constituída e regida por estatuto próprio, com direção eleita por voto de filiadas que decidem qual dos programas das candidatas apoiar, somos reguladas por leis – como a dos Partidos Políticos, com direito a pelo menos 5% do fundo partidário para capacitar mulheres, com fiscalização de tribunais, e sob avaliação permanente.

Nos reunimos para levantar nossas teses, não apenas sobre a questão da Mulher, mas sobre todos os temas a que a política se destina: o Bem Público. Sabemos também ser nossa obrigação desenhar políticas públicas para mulheres, porque quando uma lei trata da questão da mulher, está tratando da questão de metade da população a que essas leis e políticas se dirigem, e a toda a população porque se dirigem às famílias.

Depois do sucesso nas eleições de 2018, em que aumentamos em 60% o número de federais eleitas, e 33% das estaduais, confirmamos o ridículo da estatística brasileira. Apesar de sermos “muitas mais” das federais no Congresso, somos 15%, estamos em último lugar na América Latina e somos as penúltimas em participação no Congresso Nacional de todo o mundo. Convenhamos. Há algo de errado nisso. Estamos bradando para que não neguem que essa colocação frente a países de todo o grau de democracia e de desenvolvimento é vergonhosa. Há 20 anos decidimos fazer nossa parte. Avançando, o Painel e a Revista vão divulgar ideias e informações, e continuaremos a fazer capacitação – como há 20 anos, de nossas candidatas.

Quanto ao partido, bem, é certo que o mal-estar em relação aos políticos é mundial. As pessoas não se sentem representadas no atual sistema republicano. Mesmo aumentando a longevidade e havendo liberdade e melhoria individual de renda, há algo que dá a sensação às pessoas de que estão perdendo algo importante no caminho: o sentimento de pertencer, a definição dos traços de uma identidade. Brexit, manifestações em vários países da América Latina, no Líbano, em Hong Kong, na França e na Espanha.

Para a hora indico o documentário disponível no You Tube, mostrando o nascimento do PSDB em plena Constituinte de1988. Passados 31 anos, enfrentamos o mesmo Brasil, e da mesma forma que os nossos fundadores. Pela política. Pelo Parlamento. Defendendo democracia e liberdade. Afinal, não é com engodos, populismos ou ilusões que se anda para a frente, que se melhora. O Brasil segue sendo o mesmo, um pouco melhor mas o mesmo, antropologicamente (viva Ruth Cardoso), sociologicamente (viva FHC), culturalmente (e viva o povo brasileiro). Está escrito nos nossos estatutos (até gafieira tem, como lembra a música) que o Programa Partidário deve ser revisto a cada pouco. Afinal, um partido que defende reformas, deve se reformar de tempos em tempos, porque os tempos mudam. Mudar para continuar a ser aquela instituição que, sob o império das leis, e guiado pelos valores fundadores, reafirma que não há substituto para a política para identificar e buscar resolver conflitos, bem como formular políticas públicas que respondam à pergunta-chave de Lenin “O que fazer”.

Se ele propôs e não deu certo – bem, aí já é outra história que fica para uma outra vez. Mesmo porque nunca foi nosso líder. Fez uma boa pergunta, à qual buscou responder, e que provocou profundas mudanças no mundo político. Nossos líderes estão no vídeo de fundação do PSDB. Assistam, e bom proveito.

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher. Ministra do Planejamento no governo Itamar Franco (1993), Governadora do RS (2007/2010), Deputada Federal por quatro mandatos.

Data do Artigo: 09/11/2019

2019-11-25T14:26:17+00:00 9 de novembro de 2019|

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