Um infinito por fazer

Crédito da foto: Alexssandro Loyola

Muito evoluímos no último século em relação aos direitos das mulheres. Nas primeiras décadas do século XX, ainda éramos impedidas de votar e sermos votadas, de trabalhar, de exercermos livremente nossa voz. Hoje, nos fazemos ouvir. Somos a maioria da população, lideramos grandes empresas e instituições, estamos nos parlamentos e na administração pública. Avançamos. Temos várias conquistas para celebrar.

Mas ainda temos grandes desafios para vencer. Os números da violência contra a mulher são alarmantes. A cada ano, milhares sofrem abusos físicos, psicológicos e sexuais. E o que é pior, permanece incrustada em parte da população que a culpa é das vítimas. No cômputo geral, seguimos recebendo salários menores – 84% dos vencimentos dos homens, segundo o Ministério do Trabalho.

Também enfrentamos dificuldades na política. Somos hoje pouco mais de 10% do Congresso Nacional. Entre os prefeitos, quase 90% são homens. Mesmo com as cotas partidárias, ainda estamos longe de um cenário que assegure nossa plena representatividade.

Como mudar? É preciso começar justamente pela política. Devemos ampliar nossa participação, indo às urnas, buscando espaços nas siglas partidárias, debatendo ideias, juntando forças, chegando aos parlamentos. A maior presença feminina muda os ambientes, amplifica a consciência e promove a equidade.

Temos ainda um infinito por fazer. Ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder é nossa obrigação, para honrar a luta das que nos precederam, como Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora do país. Como Bertha Lutz, uma das maiores líderes nas reivindicações pelo voto feminino.

Nosso lugar é na política, para construirmos os caminhos que nos levem a uma sociedade mais justa, sem violência e preconceito. E para que, nos próximos Dias Internacionais da Mulher, possamos celebrar a conquista de um país melhor para todas nós.

 Deputada federal e presidente nacional do PSDB Mulher.

Fonte: Jornal do Comércio
Data do Artigo: 06/03/18

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