Stephen Hawking morre no Dia do π

Em 2007, Hawking realiza, aos 65 anos, um de seus sonhos: flutuar. A experiência ocorreu na Flórida (EUA) em vôo num jato da Nasa que simula ausência de gravidade | Fotos: Zero Gravity/AP

A Terra amanheceu mais pobre neste 14 de março, com a morte de Stephen Hawking, físico inglês que revolucionou a Ciência e nossa percepção do mundo em que vivemos e do Universo.

Brilhante, o cientista desde cedo mostrou um valor que o diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), aos 21 anos, não logrou empanar. Com um Universo a explicar, Hawking desafiou os prognósticos que lhe davam dois anos de vida e viveu mais de 50, sempre ativo mentalmente, mesmo que a doença o tenha paralisado em uma cadeira de rodas. Se não podia mover os braços livremente, podia pensar, e se empenhou em resolver os cálculos científicos mais complexos apenas com a mente, sem usar equações. Tomou para si a frase “Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”, da peça Hamlet, de William Shakespeare, e seguiu em frente. Um de seus livros, inclusive, recebeu como título: “Universo em uma casca de noz”.

Hawking ampliou nossa visão do mundo, enquanto esteve recluo em sua casca de noz. Foi um dos cientistas mais conhecidos do mundo e dedicou grande esforço ao trabalho de popularizar a Ciência. Queria ser entendido. Ao perceber que seu maior best-seller “Uma Breve História do Tempo”, que chegou a mais de dez milhões de exemplares, havia sido muito lido, mas não totalmente, não hesitou em escrever nova versão, simplificada.

Sua vida ficará para sempre marcada pela superação, pelo brilhantismo e pela participação intensa nos debates de interesse social, como o aquecimento global, o Brexit e a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos – considerava os dois últimos acontecimentos como “um grito de raiva dos eleitores que se sentem abandonados por seus líderes” e o prenúncio do tempo mais perigoso para o planeta. Polêmico, achava que o fim da era humana na Terra estava próximo e incentivava a procura por novos planetas e por vida inteligente no Universo.

Uma das características mais marcantes de Hawking foi o bom-humor, que o levou a emprestar sua voz metálica, sintetizada desde que uma traqueostomia o impediu de falar permanentemente, a um disco da banda de rock Pink Floyd. Jogou cartas com Newton e Einstein em um episódio de Star Trek, e participações em episódios de Os Simpsons, Uma Família da Pesada e The Big Bang Theory. Viveu.

Stephen Hawking acreditava no acaso, em contraponto a outro monstro sagrado, Albert Einstein, que uma vez chegou a afirmar: “Deus não joga dados, nada é por acaso no Universo”. Terá sido uma casualidade o que os uniu para sempre no dia 14 de março? Lembrado por ser aniversário de Einstein e dedicado ao valioso e um tanto enigmático número Pi, que encanta matemáticos há mais de 3 mil anos, a data, agora, ficará na memória de todos nós como o dia em que amanhecemos menos inteligentes, por haver perdido Stephen Hawking. Para completar, Hawking nasceu no mesmo 8 de janeiro em que morreu Galileu Galilei, outro gênio da matemática, 300 anos antes. Deus não jogou dados com ele.

Frasista dos bons, costumava dizer: “Lembre-se de olhar para as estrelas e não para baixo, para os seus pés. Tente achar sentido no que você vê e pergunte sobre o que faz o Universo existir. Seja curioso”. A partir de hoje temos mais uma razão para erguer os olhos, é nas estrelas que encontraremos Stephen Hawking.

 

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher, deputada federal no quarto mandato pelo Rio Grande do Sul, ex-governadora e ex-ministra do Planejamento.

Data do Artigo: 14/03/18

 

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