Banrisul não deve ser privatizado, afirma Yeda ao Jornal do Comércio

GESTÃO PÚBLICA

Diferentemente da projeção do vice-governador José Paulo Cairoli (PSD), de que o Banrisul vai ser privatizado no futuro, a ex-governadora (2007-2010) e agora deputada federal Yeda Crusius (PSDB) defende que se tire a possibilidade de pauta. A tucana comenta o assunto, que já havia sido alvo de especulação durante sua gestão e em anos anteriores, e acredita que, durante o processo de renegociação da dívida do Estado com a União, esse tema deve ser “equacionado”. “Vamos parar com essa ideia de privatizar o Banrisul. Digam aonde querem chegar e de que maneira”, cobra.

Em entrevista publicada ontem no Jornal do Comércio, Cairoli afirma que, “em algum momento, (privatizar o Banrisul) vai ser feito. Não sei se no governo seguinte ou em algum outro”. Yeda lembra que a especulação quanto à possível venda do banco vem de 1998, quando se reestruturou a dívida do Estado com a União. Desde então, se paga ao governo federal uma parcela extra limite da dívida, para manter o Banrisul, um dos poucos bancos estaduais que restaram no País. Hoje, o Estado compromete mensalmente 13% da sua receita corrente líquida com o pagamento da dívida junto à União. “O que tem que ser olhado é, dentro do processo de renegociação da dívida, qual o papel de transferir o Banrisul para o mundo privado. O que o Estado ganha com isso? Tem que ficar muito claro”, defendeu. A ex-governadora vê a opinião de Cairoli alinhada ao “perfil liberal” do vice de José Ivo Sartori (PMDB). No entanto, sustenta que a questão deve ser colocada com mais “inteligência”. “O povo não vai aceitar que isso seja de novo uma bandeira política de um lado ou de outro”, justifica.

“Foi um assassinato de reputação”

Ao participar pela primeira vez do programa Politiquim, do JC Vídeos, a ex-governadora disse que sofreu um “assassinato de reputação”, ao comparar as críticas ao seu governo, com lema de déficit zero, e as desferidas ao atual governador José Ivo Sartori (PMDB), que também adota medidas de cointenção de gastos, extinção de fundações e mudanças em busca da solução da crise financeira. “Passou, passou, mas foi um assassinato de reputação. De vez em quando, a minha comunicação era tão competente que até de vez em quando conseguia passar as coisas boas que o governo estava fazendo. Se não era só uma fábrica que vendia escândalos.” Yeda avaliou que o cenário de bombardeio tornou impossível a sua reeleição. Ela também afirmou que seu governo fez o ajuste e, “nos quatro anos seguintes, foi praticado o desajuste”, direcionando à gestão do sucessor Tarso Genro (PT). A deputada lembra que que o atual governador não tinha saída que não fazer o ajuste.

Por Bruna Suptiz
Fonte: Jornal do Comércio
Data da Notícia: 14/02/2017

2018-02-19T16:58:11+00:00 14 de fevereiro de 2017|Tags: , , , , , |

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