Atlas da Violência: o fim do mito do brasileiro cordial

Crédito da foto: Thinckstock

É preciso falar sobre os dados devastadores do Atlas da Violência 2018, divulgados no último mês de maio, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que mostram, entre outras aberrações, que nos últimos 15 anos um brasileiro foi assassinado a cada 10 minutos.

Mata-se mais no Brasil do que nas guerras do Iraque e da Síria, mais de meio milhão de pessoas foram assassinadas aqui na última década, um número vergonhoso, trinta vezes maior do que na Europa. Como não me canso de bradar nesta tribuna, em artigos e palestras, assassinamos nosso futuro, já que 56,5% das mortes dos brasileiros entre 15 e 19 anos em 2017 foi violenta. Chegamos ao absurdo número de 62.517 assassinatos no ano passado, uma guerra. Como é possível viver assim? Aceitar essa realidade?

Nossas crianças são as maiores vítimas de estupros, 50,9% dos casos, em que tipo de sociedade nos transformamos? Que povo trata assim seus pequenos? O feminicídio também aumentou na última década, nunca matamos tantas mulheres. Esses são sintomas de uma sociedade doente, que descumpre o código universal de conduta, datado de 1852, de preservar mulheres e crianças primeiro.

Em março deste ano o jornal norte-americano Daily Mail publicou matéria sobre estudo da organização mexicana antiviolência Segurança, Justiça e Paz, sobre as cinquenta cidades mais violentas do mundo, 17 delas no Brasil. Fomos o país com o maior número de cidades citadas, em uma América Latina incendiada. Nós, que já fomos conhecidos mundialmente pela cordialidade e simpatia com que recebíamos os estrangeiros e enfrentávamos as dificuldades da vida.

Em um país solapado por 14 anos de (des)governo demagogo e populista, valores morais e políticas sociais perderam vez, para ceder lugar à mais-valia dos que buscavam enriquecer a qualquer custo. É chegada a hora de unir forças para mudar este quadro sombrio. Para isso eu conto com a Frente Parlamentar Mista de Prevenção à Violência, que fundei e presido, aqui na Câmara, e com o Manifesto por um Polo Democrático e Reformista. Vamos retomar o controle do Brasil. Ter mais mulheres na política é ter mais executivas e representantes assumindo essa pauta que marca o Século XXI: de prevenção da violência e de combate ao crime organizado, que alimenta essas estatísticas.

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher, deputada federal no quarto mandato pelo Rio Grande do Sul, ex-governadora e ex-ministra do Planejamento.

Data do Artigo: 28/06/18

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