Anatomia de uma delação

Como os donos da JBS e a Procuradoria-Geral da República acertaram um acordo de colaboração premiada – e por que ele desmoronou

*Por Consuelo Dieguez

A divulgação da delação

Às 19h30 do dia 17 de maio, Márcio de Freitas Gomes, chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, viu piscar a manchete no site do jornal O Globo: “Dono da JBS grava Temer dando aval para a compra de silêncio de Cunha.”

A notícia, divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, dizia que Wesley e Joesley Batista, controladores da maior empresa de proteína animal do mundo, haviam entrado, uma semana antes, no gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, “para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país”. Tratava-se da homologação da delação premiada que haviam feito à Procuradoria-Geral da República, cujo ponto fulcral era a gravação de uma conversa entre Joesley e o presidente. Nela, afirmava o jornalista, Temer, ao ser informado de que o empresário dava “uma mesada na prisão” ao deputado cassado Eduardo Cunha para que se mantivesse calado sobre esquemas de corrupção do governo, estimulou-o a continuar com o pagamento.

*Consuelo Dieguez, repórter de piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

Fonte: Revista Piauí – Edição 133 | Outubro de 2017
Data: 24/10/17

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