A paralisação e a reforma tributária

Caminhoneiros paralisaram as atividades em protesto contra a alta do preço dos diesel, que desde meados de 2017 subiu mais de 50%. Na imagem, o congestionamento causado pelo bloqueio da rodovia Régis Bittencourt, a 30 km de São Paulo. Crédito da foto: Sebastião Moreira (EFE).

*Yeda Crusius

O Brasil reúne duas características que, somadas, geram uma série de atrasos: o paternalismo e o populismo. Governos são responsáveis por financiar tudo. Como consequência, temos uma altíssima carga tributária e, ao mesmo tempo, pouco retorno em qualidade de serviços públicos. Chegamos ao limite. Não há como custear educação e saúde universais e gratuitas tendo que, ao mesmo tempo, bancar eleições, subsídios a empresas e quitação da dívida pública – que atingiu 70%, um dos mais altos patamares do mundo. Esse é o reflexo acumulado de gastos mal feitos e sem os recursos correspondentes.

Em outras palavras: o País é um excelente arrecadador, mas um péssimo gastador. Eis mais uma herança maldita dos governos do PT, que expandiram em 421,4% os gastos obrigatórios do orçamento, graças ao aumento de salários e aposentadorias.

Sem previsão de receitas para esse crescimento demagógico, a “solução” foi subir a arrecadação e diminuir os investimentos. O resultado é uma Nação em frangalhos, com a Previdência esfacelada pela expansão do número de aposentados, estradas sucateadas e saúde pública em crise. A mobilização dos caminhoneiros apresentou a população à realidade.

As pessoas, que não aguentam mais elevações no preço da gasolina, perceberam que impostos federais e estaduais representam 45% do custo de um litro. Com isso, apoiaram maciçamente o movimento, até ocorrer a infiltração de grupos que fizeram uso político da crise. As gigantescas consequências econômicas da paralisação ainda estão sendo aferidas.

O País não pode ficar refém de uma malha viária ineficiente e frágil. Por isso, é essencial trazer de volta as ferrovias, o que demandará longo tempo e altos investimentos. Para o quanto antes, necessitamos de uma reforma tributária que acabe com os desequilíbrios e injustiças do atual sistema. Que desafogue o sistema produtivo e estabeleça prioridades nos gastos públicos. O Brasil precisa voltar a investir com critério e avançar rumo a um novo tempo.

*Deputada federal e ex-governadora (PSDB)

Fonte: Jornal do Comércio
Data do Artigo: 08/06/18

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