A lógica da intervenção federal no Rio de Janeiro

Crédito da foto: Luis Macedo/ CD

Extenuados estávamos todos com a repetitiva, interminável e nefasta agenda que o país seguia: instabilidade política, recessão econômica, escândalos diários, corrução desenfreada, e insegurança pública. Terminado 2017, os sinais da economia reverteram-se para positivo, mas o alvo Reforma da Previdência emperrava os trabalhos legislativos e fechava aeroportos e estradas pelos manifestantes, e a passividade das instituições perante a insegurança pública e a crise humanitária na Venezuela fazia da nossa fronteira com Roraima um cenário de chorar, a banalização da violência, tudo afetava o cotidiano dos brasileiros que perdiam a confiança no sistema.

Começando 2018 – sempre depois do Carnaval – finalmente a agenda do país foi mudada. A intervenção do Presidente Temer no Rio de Janeiro mudou a pauta do país para Segurança Pública. O interventor escolhido foi um general. O governo criou um Ministério separado da Justiça, e deslocou para ele o Ministro da Defesa Raul Jungmann, colocando em seu lugar um general. Coragem para fazer, como dizia o meu lema de governo.

O Ministro Jungmann foi responsável pela difícil área da Reforma Agrária nos governos Itamar e FHC. Conhecendo como o conheço, muito bem, afirmo que tem todas as qualidades para comandar a pasta e esta é uma das razões para eu ter aprovado o decreto de intervenção, quando foi submetido à Câmara dos Deputados. Mas há outras fortes razões para meu apoio à intervenção e à criação do Ministério da Segurança Pública.

Estou lembrando as pessoas que fiz isso no início do meu governo, decisão minha de governadora eleita ainda no período de transição do final de 2006, porque dava prioridade ao bom uso do dinheiro público, o respeito às leis, à ordem e à segurança pública, e à coragem para mudar e inovar, inclusive através de leis, e não apenas na gestão das finanças públicas.

Separei a Secretaria da Justiça e da Segurança Pública em duas, a primeira para o respeito aos direitos, e a segunda para seu verdadeiro fim, que é a política pública comandada pelas Polícias Civil e Militar, Instituto Geral de Perícias, e Presídios. Transferi o Detran para Administração. Conquistamos o Déficit zero em dois anos, e inovamos políticas públicas focadas, contratando o que tinha a garantia de ser pago. Pagamos as contas atrasadas de outros governos. Os indicadores econômicos, fiscais, e sociais, incluindo os de criminalidade e violência, TODOS melhoraram.

Agora Temer faz exatamente isso, Ministério da Justiça para políticas sociais que respeitam direitos e enfrentam os terríveis índices de violência. Ministério da Segurança Pública para o que lhe compete. Dois generais: o interventor no RJ e o chefe do Ministério da Defesa, que estava com o Ministro Jungmann. Tem tudo para dar certo.

Juntando as Polícias Rodoviária, Federal, Inteligência, a mudança na gestão já vai mostrando resultados. Apreensão de drogas, de armas, de dinheiro vivo. Plano para investimentos garantidos. Faltava na verdade alguém que fizesse. Agora o Ministério da Justiça pode tratar do horror da fronteira com a Venezuela, com a entrada aos milhares de migrantes por dia por Roraima fugindo da fome e da perseguição política, já quase 2 milhões de venezuelanos, com a roupa do corpo. No zoológico os animais em osso e pele porque não tem comida. O peso médio da população baixou muito. E o Maduro continua gordo e cruel, aplaudido pelas esquerdas latino-americanas.

O Governo Temer assume o comando da nova agenda, porque além dessa prioridade à segurança pública, a economia vai deslanchando, taxa de juros lá embaixo, com a reforma trabalhista o emprego vai voltando, o controle da inflação e o equilíbrio fiscal mantidos. Já se respira melhor. Enfim.

 

* Yeda Crusius é presidente Nacional do PSDB-Mulher, deputada federal no quarto mandato pelo Rio Grande do Sul, ex-governadora e ex-ministra do Planejamento.

Data do Artigo: 05/03/18

Deixe um Comentário